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Sindicato diz que menos de metade dos guardas prisionais recebeu vacina

O Sindicato do Corpo da Guarda Prisional afirmou hoje que "só 45%" dos guardas prisionais receberam as duas doses da vacina contra a covid-19, e que cerca de 350 destes profissionais aguardam ainda pela primeira vacina.

Sindicato diz que menos de metade dos guardas prisionais recebeu vacina
Notícias ao Minuto

14:41 - 08/04/21 por Lusa

País Covid-19

"O Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP) apurou que a esta altura ainda só 45% do Corpo dos Guardas [de Portugal continental] foi vacinado com a primeira e com a segunda dose da vacina contra a covid-19. E que há 10%, cerca de 350 Guardas, que ainda não receberam nenhuma dose", refere este sindicato, em comunicado enviado à agência Lusa.

Em 30 de março, a ministra da Justiça, Francisca van Dunem, anunciou que todos os guardas prisionais do continente já tinham sido vacinados contra a covid-19, num total de 8.800 vacinas aplicadas nos serviços prisionais.

"O processo de vacinação em curso na área da Justiça, nomeadamente nos serviços prisionais, está a correr muito bem. Neste momento já há cerca 8.800 vacinas aplicadas, o que significa que, ao nível do continente, os guardas prisionais estão todos vacinados, há 4.000 pessoas que fizeram já uma segunda dose", afirmou nesse dia Francisca van Dunem, aos jornalistas.

O comunicado, assinado pelo presidente do SNCGP, Carlos Sousa, refere, contudo, outros números.

"Ao contrário das recentes declarações prestadas pela Sr.ª. ministra da Justiça, que afirmou à comunicação social que, 'ao nível do continente, os guardas prisionais estão todos vacinados', e que 'há 4.000 pessoas que fizeram já uma segunda dose', o SNCGP vem assim reagir a tal informação erradamente divulgada pela Sr.ª ministra e que pode até colocar em causa a celeridade necessária ao processo de vacinação dos Guardas prisionais", alerta o dirigente sindical.

Para Carlos Sousa, o "processo de vacinação [dos guardas prisionais] não está a correr bem, ao contrário do que afirmou" a ministra da Justiça, "e pode pôr em causa a segurança nos Estabelecimentos Prisionais [EP]".

"De acordo com os dados recolhidos por este sindicato, do universo dos Guardas já vacinados (90%), só metade recebeu a segunda dose da vacina. Faltam os outros 45% a quem, até ao momento, apenas foi administrada a primeira dose. Quer isto dizer que, de norte a sul de Portugal, espalhados pelos mais diversos Estabelecimentos Prisionais, a maioria dos Guardas prisionais ainda não está devidamente protegida contra a covid-19", denuncia o sindicalista.

O SNCGP "lamenta as informações erradas veiculadas pelo Ministério da Justiça e alerta para o risco do atraso na vacinação dos Guardas" prisionais.

"Os estabelecimentos prisionais são, como é sabido, meios muito problemáticos, sendo o número de guardas prisionais, já por si, insuficiente em relação ao número de reclusos. Se a maior parte dos guardas ainda não está vacinada com as duas doses, correndo assim o risco de contrair a doença, a segurança nos EP pode, de um dia para o outro, colapsar", sublinha este sindicato.

O Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP) diz também que fará chegar, ainda hoje, ao Ministério da Justiça "os resultados da vacinação do Corpo dos Guardas" prisionais.

O SNCGP anuncia ainda no comunicado que vai solicitar, "com caráter de urgência, uma audiência" à ministra da Justiça, Francisca van Dunen, "com o fim de a alertar para os elevados riscos do atraso no processo de vacinação nos Estabelecimentos Prisionais de Portugal Continental".

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.890.054 mortos no mundo, resultantes de mais de 133 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 16.890 pessoas dos 825.031 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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