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Santo António, o hospital que recebeu o primeiro infetado há um ano

O Hospital de Santo António, no Porto, onde foi diagnosticado o primeiro doente covid-19 do país, iniciou a preparação com "dezenas de profissionais sentados lado a lado e sem máscara" num "cenário que hoje parece de outro século".

Santo António, o hospital que recebeu o primeiro infetado há um ano
Notícias ao Minuto

07:15 - 02/03/21 por Lusa

País Covid-19

"A ação de formação na qual estivemos todos juntinhos no auditório e sem máscara -- quase que parece de outro século, não é? Foi em fevereiro. No dia 01 de março acolhemos um suspeito que, no dia 02, veio a confirmar-se infetado", descreveu José Barros, diretor clínico do Centro Hospitalar Universitário do Porto (CHUP), onde se inclui o Hospital de Santo António.

Segundo o médico "a aula foi dada por uma especialista em infecciologia que respondia a perguntas sobre o que se passava em Wuhan, na China, notando-se um misto de curiosidade, mas sobretudo grande preocupação".

"Antes dessa formação, fizemos uma primeira reunião a 16 de janeiro [de 2020] com os diretores de serviço e os enfermeiros chefe. A conclusão foi: vamos fazer um plano [de contingência]", descreveu.

Inicialmente, o CHUP reservou 34 camas para doentes com o novo coronavírus.

A decisão, tomada em fevereiro de 2020, quando Portugal não registava qualquer caso covid-19, chegou a ser encarada com "desconfiança", contou o responsável.

Paralelamente, foi criado junto ao Serviço de Urgência, no antigo átrio de um bar, um posto para atendimento de casos suspeitos ou já confirmados, para separar circuitos.

"Na segunda vaga já fizemos um refinamento disto e dividimos [o espaço da Urgência] em três áreas: uma para covid-19 ou suspeitos, outra para doentes com doença respiratória que pode ser covid-19 ou não, e uma área geral. Em resumo, fomos expandindo e fechando progressivamente [camas e serviços] conforme as necessidades", descreveu.

Desde março de 2020, o CHUP internou cerca de 2.500 doentes covid-19, e seguiu 8.000 por telefone.

Os dias mais críticos foram 23 de janeiro e 1 de fevereiro deste ano, com 30 novos doentes por dia.

Após uma primeira vaga com 350 doentes internados do dia 22 de junho a 29 de julho, o Santo António não fez nenhuma admissão.

Ao longo dos meses, a mediana de idades foi de 70 anos e a média de 66. O mais novo doente com covid-19 no CHUP foi um recém-nascida e o mais velho tinha 101 anos. No total este centro internou 40 menores de 18 anos.

Na sexta-feira estavam internados 84 doentes com o novo coronavírus, 19 dos quais em unidades de cuidados intensivos (UCI), e disponíveis 139 camas, 95 em enfermaria e 44 para doentes críticos.

Ao longo do tempo, o CHUP teve no total 184 camas alocadas à covid-19, das quais 46 em UCI.

Para José Barros, a pandemia registou até aqui duas vagas: uma em março e abril de 2020 e outra de outubro até ao presente, "com acalmia" em dezembro.

"Progressivamente, fomos convertendo e desmobilizando, sempre deixando uma enfermaria de reserva", resumiu o diretor clínico que, admitindo que se registaram "quebras de produção" nas restantes patologias, rejeita que se tenha dado primazia à covid em detrimento da restante atividade.

"Temos 800 camas. Se cerca de 200 têm estado dedicadas à covid-19 é porque 600 estão alocadas a outras patologias. A maior parte dos nossos profissionais e recursos têm estado, ao longo destes meses todos, ao serviço da patologia não covid-19 e não o contrário, como às vezes se faz fazer crer", frisou.

Segundo o diretor clínico do CHUP, "a atividade programada não urgente esteve parada duas semanas na primeira vaga", mas "não mais parou", nem no pico da segunda vaga, uma vez que este centro hospitalar "teve capacidade de responder e até margem para receber doentes" de outros hospitais.

"Não faria sentido parar. Isso não acrescentaria valor à nossa missão", sublinhou.

Comparando o período da pandemia com períodos homólogos de anos anteriores, o CHUP registou menos 14% dos internamentos, realizou menos 6% das consultas, e viu o fluxo à Urgência diminuir 25%.

Realizaram-se menos 20% de operações, o que corresponde a cerca de 40.800 para 32.380, e ocorreram menos 7% de partos (3.460 para 3.213).

Atualmente estão vacinados, com as duas doses, 3.600 profissionais de um universo de 4.800 trabalhadores e o CHUP decidiu vacinar trabalhadores de empresas prestadoras de serviços como profissionais alocados a ambulâncias, alimentação e segurança.

José Barros sublinhou que "nenhum vacinado desenvolveu a doença [covid-19] para já" e que, ao longo do último ano, o centro hospitalar teve 650 profissionais infetados.

Leia Também: Um ano de Covid-19: Artistas ou uma profissão adiada devido à pandemia

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