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Portugal fez sempre uma análise ao nível do concelho no combate à Covid

A investigadora Carla Nunes afirmou hoje que Portugal fez sempre uma análise ao nível do concelho e aplicou "medidas muito específicas" no combate à pandemia, ao contrário de alguns países.

Portugal fez sempre uma análise ao nível do concelho no combate à Covid
Notícias ao Minuto

21:03 - 22/02/21 por Lusa

País Covid-19

Carla Nunes, diretora da Escola Nacional de Saúde Pública, faz parte do grupo de peritos sobre o controlo da pandemia e apresentou hoje na reunião do Infarmed, em Lisboa, a investigação que estão a desenvolver, na qual analisam indicadores de risco e as medidas adotadas por vários países da Europa Ocidental e do Norte, a Austrália e o Canadá para combater a pandemia.

"Portugal, desde o início, fez sempre a sua análise ao nível do concelho e teve sempre medidas muito específicas quando necessário" como aconteceu, por exemplo, a 22 de outubro, nos concelhos de Felgueiras, Lousada e Paços de Ferreira devido ao elevado número de casos de covid-19.

Carla Nunes explicou que esta medida de categorização de concelhos foi declarada em Portugal a 02 de novembro e a 23 de novembro e passou a ter "uma forma mais consistente" com a classificação em "Moderado, Elevado, Muito Elevado e Extremamente Elevado" que se mantém em agora, sendo uma medida que é avaliada de 15 em 15 dias.

Neste momento, a medida não está ativa porque desde o dia 15 de janeiro que Portugal está em confinamento.

"Nós tínhamos estes níveis ativos e tínhamos medidas diferenciadas ao nível de ajuntamentos em espaços públicos, restauração, trabalho, restrição entre concelhos, recolher obrigatório e nas escolas que eram tomadas medidas mais homogéneas e transversais e, portanto, só em casos pontuais é que haveria decisões caso a caso", explicou Carla Nunes.

Na apresentação, Carla Nunes analisou os Países Baixos, a Irlanda, a Espanha e o Canadá por serem países "com maior abrangência em termos dos indicadores e das medidas associadas".

Na investigação, o grupo de peritos identificou diferentes abordagens entre países, "umas mais permissivas, outras mais restritivas, e outras mais baseadas em matrizes de risco". Dos 10 países escolhidos, sete em 10 apresentavam medidas associadas às matrizes de risco em quatro pilares: ajuntamentos, restauração, escolas e trabalho.

"Nos indicadores existem quantitativos com valores de corte bem definidos, mas também qualitativos com abrangência nacionais e regionais", salientou.

Mas mesmo quando são locais, muitas vezes, são extrapolados para nível nacional quando um determinado número de regiões é identificado como crítica e muitas vezes não são definidos indicadores, mas sim áreas, a referida capacidade hospitalar ou capacidade da saúde pública, não concretizando exatamente qual é que é o indicador, disse Carla Nunes.

"Existe normalmente espaço para decisões não enquadradas na matriz de risco, nomeadamente utilizando referências de uma forma mais qualitativa ou em áreas e não em indicadores", salientou.

A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.466.453 mortos no mundo, resultantes de mais de 111 milhões de casos de infeção, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 16.023 pessoas dos 798.074 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

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