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  • 16 OUTUBRO 2021
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Há "uma descida muito significativa e expressiva" nos novos casos

O Presidente da República, o primeiro-ministro e os líderes partidários reúnem-se com diversos especialistas e com o coordenador da task force do plano de vacinação para uma nova avaliação da pandemia em Portugal.

Há "uma descida muito significativa e expressiva" nos novos casos

A menos de uma semana de uma eventual renovação do Estado de Emergência, começou, no início desta tarde, a 16.ª reunião sobre a 'situação epidemiológica da Covid-19 em Portugal', que decorre em videoconferência a partir do Infarmed, em Lisboa.

Neste encontro participam diversos especialistas, incluindo o coordenador da task force para o plano de vacinação, na presença do Presidente da República, do primeiro-ministro e dos dirigentes partidários.

A ministra da Saúde iniciou a sessão e, após ter apresentado a ordem dos trabalhos prevista para esta tarde, tomou a palavra o especialista André Peralta Santos, da Direcção-Geral da Saúde (DGS), que começou por denotar que "houve uma consolidação da tendência de descida" da incidência da pandemia no país, nos últimos 14 dias.

"Uma descida muito significativa e expressiva, portanto no número de novos casos, e estamos, ao dia 20 [de fevereiro], com uma incidência de 322 casos por 100 mil habitantes, e ainda com uma variação semanal de descida bastante acentuada", precisou.

Lisboa, a região "com a incidência mais elevada"

Contudo, sublinhou o responsável apresentando um gráfico, há regiões do país "ainda com incidências altas", especialmente, "na região de Lisboa e Vale do Tejo, no Alentejo e no Centro".

"Todas as regiões portuguesas estão numa fase de descida. A região de Lisboa e Vale do Tejo continua, no entanto, e em comparação, a ser a região do país com a incidência mais elevada", esclareceu, acrescentando também que, nesta zona do país, a mortalidade também é superior à media nacional, "como seria de esperar", considerando a elevada incidência do novo coronavírus nesta região.

Ainda assim, "há só alguns municípios" que se mantêm "com uma incidência superior a 960" casos por 100 mil habitantes e "já há vastas regiões do território com uma incidência inferior a 240 casos por 100 mil habitantes".

Sobre a variação da incidência, André Peralta Santos informou que a tendência está também "em decrescimento", abaixo de menos 30 casos por cem mil habitantes. "É de assinalar", frisou.

O grupo etário no país que regista mais casos é o de pessoas com mais 80 anos, com "níveis de incidência ao nível do que tínhamos em novembro, o que é de assinalar como positivo".

Já sobre a vertente de hospitalizações em enfermaria e em cuidados intensivos "há também uma consolidação da descida", embora mais lenta nas unidades de cuidados intensivos

Quanto à variante do Reino Unido, o responsável adiantou ainda que a prevalência da estirpe é superior em Lisboa e Vale do Tejo, 56% de prevalência, embora haja "uma grande incerteza" sobre a mesma nas regiões do Alentejo e do Algarve.

Número de doentes em cuidados intensivos pode estar abaixo dos 200 no final de março

Concluída a primeira intervenção da tarde, a reunião prosseguiu com a apresentação de dados do epidemiologista Baltazar Nunes, que informou que o número de doentes com Covid-19 internados em cuidados intensivos pode estar abaixo dos 300 em meados de março e abaixo dos 200 no final do mês.

O investigador do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) ressalvou, no entanto, que estas projeções têm muitas condicionantes.

"Nada do que se projeta está adquirido, vai depender de conseguirmos manter a atual tendência de decréscimo de novos casos e esta tendência depende das medidas atualmente implementadas, da sua adoção pela população assim como dos comportamentos preventivos da população e do controlo da transmissão das novas variantes do SARS-CoV-2 que ainda representam são muito prevalentes a população", afirmou.

O especialista observou ainda que Portugal é atualmente "um dos países com mais medidas restritivas de confinamento e apresenta uma redução da mobilidade na área do retalho das mais baixas da Europa".

Confinamento travou crescimento exponencial da variante do Reino Unido

De seguida o investigador João Paulo Gomes, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), tomou a palavra, que garantiu que as medidas de confinamento travaram o crescimento exponencial em Portugal da variante do vírus SARS-CoV-2 identificada no Reino Unido.

"Em janeiro fizemos uma projeção a três semanas que indicava que na semana seis - a semana passada - cerca de 65% dos novos casos fossem provocados por esta variante. Tal não aconteceu graças ao confinamento. Os dados indicam que temos cerca de 48% dos novos casos provocados por esta variante e sem uma tendência crescente", explicou o especialista do INSA, notando que no Reino Unido já se estima uma prevalência desta variante superior a 90%.

João Paulo Gomes destacou ainda que esta variante já foi identificada em 80 países, incluindo todos os estados-membros da União Europeia, enquanto as variantes identificadas na África do Sul e no Brasil foram apenas identificadas em 40 e 17 países, respetivamente.

No entanto, o investigador do INSA alertou que com o futuro desconfinamento será expectável uma recuperação do ritmo de crescimento de infeções por esta variante, por ser mais transmissível. João Paulo Gomes observou que o 'planalto' de valores encontrado nas últimas semanas se deve à limitação dos contactos sociais por força do confinamento.

"Bloqueando os processos de transmissão secundária, uma variante mais transmissível terá perdido essa vantagem face às outras e isso pode explicar a ausência de crescimento. Quando desconfinarmos, ela vai continuar cá e o normal é que possamos assistir a um novo crescimento exponencial. Há que estabelecer um equilíbrio entre o desconfinamento e a imunidade de grupo tão desejada, que será atingida com o processo de vacinação massiva, mas também pelos milhares de portugueses que já foram infetados", referiu.

Em relação às outras variantes, nomeadamente as variantes conhecidas como sul-africana e brasileira, o perito do INSA referiu que se mantêm os quatro casos em Portugal associados à mutação detetada na África do Sul e que foi anunciada no domingo a deteção de sete casos da variante do Brasil, habitualmente reportada à região de Manaus.

"Imunidade de grupo" pode ser atingida em agosto

Na intervenção do vice-almirante Gouveia e Melo, o coordenador da task force antecipou um possível aumento do ritmo de inoculações para 100 mil por dia e sublinhou que a imunidade de grupo pode ser alcançada em agosto.

"Há uma expectativa mais positiva relativamente ao segundo trimestre e muito mais positiva relativamente ao terceiro e quarto trimestres. Se estas expectativas de disponibilidades de vacinas se mantiverem e materializarem num futuro próximo, o período em que se pode atingir a imunidade de grupo - 70% - pode eventualmente reduzir-se relativamente ao fim do verão para passar para meados do verão, em volta de meados ou início de agosto", disse.

O responsável reforçou também a necessidade de recorrer a outros meios para a administração de vacinas além dos centros de saúde, algo que já havia defendido anteriormente, como a possível extensão do processo às farmácias.

"Vai haver uma concentração de vacinas já no segundo trimestre suficiente para aumentar a velocidade de vacinação para cerca de 100 mil vacinas por dia, o que fará com que se tenha de pensar em modelos alternativos aos centros de saúde nos cuidados primários para que este processo de vacinação corra sem problemas nas inoculações", garantiu.

Recorde aqui a reunião:

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