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Ambientalistas fazem balanço do ano pouco positivo em Castelo Branco

A associação ambientalista Quercus destacou hoje como os aspetos mais negativos do ano em Castelo Branco, a poluição dos rios, o prolongamento do funcionamento da central nuclear de Almaraz e o impacte ambiental da central de biomassa do Fundão.

Ambientalistas fazem balanço do ano pouco positivo em Castelo Branco
Notícias ao Minuto

15:42 - 29/12/20 por Lusa

País Ambientalistas

Em comunicado enviado à agência Lusa, a Quercus de Castelo Branco faz um balanço ambiental relativo ao ano de 2020, selecionando os melhores e os piores factos a nível regional, e apresentando algumas perspetivas para o ano de 2021.

Os ambientalistas destacam como os piores factos ambientais de 2020 no distrito de Castelo Branco, as violações ao Plano de Ordenamento da Albufeira de Santa Águeda e Pisco (POASAP), que "persistiram e intensificaram-se".

A agricultura superintensiva na região, nomeadamente de amendoais e olivais, são outro dos aspetos negativos realçados pela Quercus, que alerta para a expansão destas monoculturas superintensivas, principalmente nos concelhos de Idanha-a-Nova e do Fundão.

O impacte ambiental que a central de biomassa do Fundão (CBF) tem provocado na região tem sido acompanhado pelos ambientalistas, "com atenção e elevada preocupação".

"Os elevados níveis de ruído e a libertação de poeiras provenientes da trituração da madeira continuam no dia a dia, inclusive durante o período noturno".

A Quercus também "confirmou no terreno que a CBF está a queimar, na totalidade ou praticamente na totalidade, madeira de qualidade, não utilizando, como seria desejável e está contratualizado, biomassa residual", lê-se na nota.

Os ambientalistas sublinham ainda que "apesar de ter sido notificada a central, as ilegalidades mantém-se no terreno com claro prejuízo para o ambiente e as populações residentes".

Já no que diz respeito aos cursos de água, a Quercus destaca a poluição nos rios Tejo, Ponsul e Aravil e na ribeira de Alpreade.

"Continuam com problemas de poluição, por funcionamento deficitário de ETARS, por descargas de efluentes sem tratamento, por poluição difusa da agricultura intensiva", sustentam.

O prolongamento do funcionamento da Central Nuclear de Almaraz, em Espanha, até outubro de 2028, é outro dos aspetos negativos destacados pelos ambientalistas.

A Quercus realça que a central espanhola, "fica situada junto ao rio Tejo, na província de Cáceres, em Espanha, a cerca de 100 quilómetros da fronteira com Portugal e tem tido incidentes com regularidade, onde se incluem as duas paragens recentes dos reatores devido a avarias detetadas e existindo mesmo situações em que já foram medidos níveis de radioatividade superiores ao permitido".

Alerta ainda que Portugal pode vir a ser afetado, caso ocorra um acidente grave, quer por contaminação das águas, uma vez que a central se situa numa albufeira afluente do rio Tejo, quer por contaminação atmosférica, pela grande proximidade geográfica existente.

Já como os melhores factos ambientais de 2020 no distrito de Castelo Branco, os ambientalistas destacam a recuperação de algumas espécies em perigo, como o abutre-preto (Aegypius monachus).

"Classificado como 'criticamente em perigo em Portugal', é uma espécie que tem o seu principal núcleo reprodutor no Parque Natural do Tejo Internacional".

Confinado a três núcleos reprodutores em Portugal, "o abutre-preto continua a dar provas do seu regresso. Este ano no Tejo Internacional nasceram, e sobreviveram, 17 crias. Nesta época reprodutora foram confirmados 24 casais na área do Tejo Internacional, dos quais 23 reprodutores", sublinham.

A águia imperial ibérica (Aquila Adalberti) é outros dos bons exemplos destacados pela Quercus: " Uma das aves de rapina mais ameaçadas da Europa, aumentou a sua população reprodutora em Portugal para 24 casais, na Beira Baixa e no Alentejo".

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