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Técnico do INEM diz que bebé "não duraria mais 20 minutos" no lixo

Palavras emocionantes foram proferidas, esta quarta-feira, em mais uma sessão do julgamento de Sara, a mãe que abandonou o filho num contentor de lixo em Santa Apolónia, Lisboa.

Técnico do INEM diz que bebé "não duraria mais 20 minutos" no lixo

O técnico do INEM que salvou o recém-nascido abandonado pela mãe num contentor de lixo, junto à discoteca Lux, em Santa Apolónia (Lisboa), a 5 de novembro do ano passado, disse esta terça-feira, em tribunal, que o bebé "não duraria mais do que 20 minutos" naquelas condições, se não tivesse sido resgatado. 

As palavras do profissional de saúde, que conduz uma mota do INEM, foram proferidas durante a segunda sessão de julgamento.

"Estava tudo muito escuro. Quando cheguei [ao local], a criança não estava estável e eu precisava de luz", começou por contar o técnico, revelando  que viu que o menino tinha o cordão umbilical com uma hemorragia.

"Comecei a administração de oxigénio. A criança tinha muco e dificuldades em respirar. Comecei a ver uma reação do bebé bastante rápida. Havia um silêncio enorme. Quanto tentei fazer reagir o bebé, apertei o nariz e ele começou a reagir", acrescentou.

Nessa altura, conta a TVI24, Sara, a mãe do bebé, que assistia ao julgamento, começou a chorar.

Posteriormente, o homem foi ao Hospital Dona Estefânia ver o menino. Ao chegar à unidade hospitalar foi questionado sobre a luva encontrada no cordão umbilical. "Foi a forma mais rápida de estancar a hemorragia", justificou. De seguida, perguntaram-lhe que nome daria ao bebé. "Salvador! E assim ficou", revelou hoje, emocionado, em tribunal.

Já o sem-abrigo que encontrou o bebé no contentor do lixo explicou que passava no local, tal como todos os dias, para recolher objetos para vender, quando viu um braço num dos contentores. Nessa altura, admitiu, voltou ao local onde vivia, para chamar ajuda.

No regresso, João Paulo Saraiva não encontrou o bebé e dirigiu-se à esquadra da PSP de Santa Apolónia. Contudo, garantiu em tribunal, os agentes de serviço sugeriram que fosse "a um psiquiatra".

Apesar disso, João voltou ao local e, por volta das 16h, ouviu um choro, vindo do contentor amarelo. Nessa altura chamou o amigo Rui para o ajudar, este entrou para o ecoponto e, juntos, resgataram o bebé, tendo depois entregado o mesmo a "uma senhora que saiu do Lux".

A mulher que embrulhou o bebé numa camisola e o segurou até o técnico do INEM chegar também falou, hoje, em tribunal. "Eram cerca das 17h30 quando veio o sem-abrigo com um bebé nos braços, aos berros. O bebé estava despido, com um bom pedaço de cordão umbilical e sujo de sangue e outros fluidos. Parecia frio e parou de chorar quando o embrulhamos numa camisola do meu companheiro", revelou, acrescentando que, como estava a chover, alguém do Lux chamou o grupo para o interior da discoteca, onde, posteriormente, o técnico do INEM acudiu o recém-nascido.

Já o agente da PSP que recebeu a chamada de alerta, admitiu que nunca acreditou que estivesse mesmo um bebé no caixote do lixo e que nunca vai esquecer a cara do menino. "Quando vi o bebé a olhar para mim com os olhos abertos... essa é uma imagem que nunca vou esquecer", confessou.

Leia Também: Unidade de neonatologia troca soro alimentar por anestésico e mata bebé

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