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"Isto não é o fim de nada. É, infelizmente, o início de qualquer coisa"

Ex-presidente do Sporting esteve, esta noite, no 'Jornal das 8' da TVI. "Enquanto cidadão, pai, filho, não tenho sentimento de que foi feita justiça", disse Bruno de Carvalho sobre o caso do ataque à Academia de Alcochete, no qual foi absolvido de todos os crimes pelos quais estava indiciado.

"Isto não é o fim de nada. É, infelizmente, o início de qualquer coisa"

Bruno de Carvalho esteve, esta noite, na TVI numa conversa em que o 'prato principal' foi o processo do ataque à Academia de Alcochete, do qual foi, esta quinta-feira, absolvido de todos os crimes pelos quais foi indiciado. Na primeira questão, sobre se foi feita justiça, o ex-presidente do Sporting foi peremptório: "Naquilo que podemos chamar o processo penal considero que sim". 

Mas "não" se tratou de uma justiça 'absoluta', uma vez que "isto não é o fim de nada. É, infelizmente, o início de qualquer coisa", considerou Bruno de Carvalho.

"Estes dois anos foram tão pesados para mim, para a minha família, foi um assassinato de carácter tão grande, que esta decisão não elimina tudo e não tem a ver só com o passado, tem a ver com o meu dia a dia", reiterou, acrescentando que "infelizmente, hoje estou na rua, e há muita gente que continua com o estigma que não foi feita justiça ou que isto foi por falta de prova".

"Sinto que foi um assassinato de carácter tão grande que vai demorar a resolver", repetiu Bruno de Carvalho, o que havia dito à saída do Tribunal de Monsanto, destacando que este facto está não só relacionado com a "acusação", como também com "tudo o que norteou este processo". 

"Foi relatado que eu estava muito indignado com os jornalistas quando cheguei ao tribunal. Quero que as pessoas percebam que ontem estava com a minha família e há uma peça num canal [de televisão] que volta a ir buscar um texto truncado do 'foi chato'. Estava com a minha família, já passaram dois anos...", salientou, explicando também que esta manhã "tinha uma outra peça de uma rádio que diz Bruno de Carvalho com expectativa de ser absolvido por falta de provas. Isto não é justo". 

"Enquanto cidadão, pai, filho, não tenho sentimento de que foi feita justiça" (Bruno de Carvalho)"As juízas tentaram ao máximo - tenho de lhes reconhecer esse esforço - dizer as coisas como deve de ser: que não houve obtenção de prova", salientou Bruno de Carvalho, lembrando que: "Não há um 'in dubio pro reo' em Portugal"

Julgamento? "Ficava, às vezes, arreliado com o que ouvia"

"Quem acompanhou o julgamento, esta procuradora, a nova - de quem já disse muito bem -, tentou de tudo. As sessões foram quase todas sobre Bruno de Carvalho. Tentou defender a tese da acusação por todos os limites. Ficava, às vezes, arreliado com o que ouvia", confessou Bruno de Carvalho. 

Referindo-se às palavras de uma advogada que, na TVI, referiu que "toda a acusação foi feita com base em mensagens de WhatsApp", o ex-dirigente do Sporting disse não haver uma mensagem a referir-se a ele, "a não ser [uma] a dizer que tinham de me bater também".

"Isto tem a ver com a nossa vida enquanto cidadãos" (Bruno de Carvalho)Ao ser questionado sobre para onde dirigiu o pensamento quando ouviu a sentença, o ex-líder dos 'leões', respondeu sem hesitações: "Para lado nenhum porque era óbvio, mediante as alegações do Ministério Público e as alterações não substanciais de facto que o coletivo de juizes produziu, era óbvio que ia haver uma absolvição". 

"Pensei duas coisas. Primeiro, quero ir abraçar a minha família porque eles sofreram o que nunca deviam ter sofrido só porque uma pessoa, um dia, teve a ambição de ser presidente do Sporting. Em segundo lugar pensei: 'pronto, agora vou entrar na primeira fase do desconfinamento, na fase em que tenho de fazer uma luta por aquilo que me foi retirado de mais importante, o meu carácter, a minha honra, a minha dignidade", acrescentou. 

Bruno de Carvalho admitiu vir a pedir uma compensação "pecuniária" ao Estado Português. "Quando movemos um caso por pedido de indemnização, somos nós que temos de dizer o valor que achamos e temos de pagar sobre esse valor. Se eu achar que o meu nome vale cinco milhões de euros, tenho de pagar 60 mil euros de custo". E mais: "Nesse julgamento vou ver ser julgado não só a atuação do Estado e do Ministério Público, mas também aquilo que eu pedi. Isso não é justo".  

"Mexi em muitos interesses"

"Independentemente se eu gostava ou não da atenção que me dessem eu mexi em muitos interesses. Há processos a serem julgados que têm por base algumas acusações factuais que eu fiz, nomeadamente no futebol. As pessoas não gostaram", sublinhou Bruno de Carvalho. 

"Aquilo que aconteceu no Sporting só aconteceu por eu ser inocente. Era impensável num clube como o Benfica ou o FC Porto acontecer o que aconteceu [...] Como cidadão fiquei horrorizado com o que aconteceu em Alcochete, mas também fiquei horrorizado com o que aconteceu em Guimarães três meses antes".

De recordar que, na leitura do acórdão, que decorreu no tribunal de Monsanto, em Lisboa, o coletivo de juízes presidido por Sílvia Pires considerou que não foram provados factos contra Bruno de Carvalho, que liderou os 'leões' entre 2013 e 2018.

Não foi provado que as críticas de Bruno Carvalho nas redes sociais tivessem incentivado os adeptos a agredirem alguém, nem de forma implícita, assim como não foi estabelecida relação de causa e efeito entre a alegada expressão 'façam o que quiserem' e o ocorrido na Academia.

[Última atualização às 21h14]

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