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'Geração à rasca' volta a enfrentar "peso de mais uma crise"

A população apelidada de 'geração à rasca' há 10 anos volta a enfrentar o "peso de mais uma crise", apresentando a maior perda de rendimento e o maior risco de ser infetada, segundo o Barómetro Covid-19 hoje divulgado.

'Geração à rasca' volta a enfrentar "peso de mais uma crise"
Notícias ao Minuto

07:52 - 16/05/20 por Lusa

País Coronavírus

O inquérito "Opinião Social", da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), que envolveu cerca de 180 mil questionários, analisou as desigualdades sociais em tempos de pandemia na geração dos 26-45 anos, visando perceber como está a ser afetada pela crise económica e social que já se faz sentir.

Os dados mostram que "a crise da covid-19 afeta de forma desigual a população, com particular impacto nos grupos mais jovens. A geração com 26-45 anos em particular está a ser mais afetada pela suspensão da sua atividade e teve a perda de rendimento mais significativa", salienta a ENSP.

"Há 10 anos, numa altura em que davam início à sua vida profissional, estas pessoas foram fortemente afetadas pela crise que envolveu o resgate da 'troika', ficando apelidadas inclusivamente de 'geração à rasca'" e agora "volta a enfrentar o peso de mais uma crise, cujos efeitos continuarão a ser sentidos nos próximos anos".

Quando questionados sobre a perda de rendimento durante a pandemia, 43% dos inquiridos disseram que o perdeu parcialmente ou totalmente.

São as pessoas com rendimento inferior quem sofreu mais: 25% dos que ganhavam até 650 euros perderam todo o rendimento e cerca de 39% parcialmente.

Segundo o inquérito, 49% das pessoas que auferem até 650 euros suspendeu a atividade profissional, proporção que diminui com o aumento do escalão de rendimento.

Uma em cada três pessoas que suspendeu a sua atividade perdeu todo o rendimento e mais de metade parcialmente.

Os trabalhadores por conta própria foram quem mais suspendeu a atividade (48%, comparativamente a 17% dos que trabalham por conta de outrem) e quem mais perdeu rendimento (37% perdeu-o totalmente, contra 2% dos empregados), "o que sugere que estabilidade no vínculo laboral poderá, em parte, estar associada a menor perda de rendimento", refere o inquérito "Outra crise, a mesma geração".

"Aliada à vulnerabilidade social e económica, este grupo continua a ser o que mais está a sair para ir para o local de trabalho [35%], com contacto com o público ou colegas, estando assim em maior risco de exposição à covid-19", sublinha, observando que é neste grupo estão os pais das crianças que brevemente irão regressar à creche, que reabrem na segunda-feira.

Também é esta população que se sente em maior risco de contrair a covid-19: cerca de um em cada dois perceciona-se em risco elevado relativamente a 13% em teletrabalho.

O estudo aponta que 34% dos inquiridos dizem sentir-se "ansiosos ou agitados todos, ou quase todos, os dias", sendo os que estão em contacto com o público ou colegas quem se sente ansioso mais frequentemente, comparativamente a 24% dos que estão em teletrabalho.

São também os que perderam todo o rendimento quem se sente do mesmo modo (40% comparativamente a 22% dos que mantiveram o rendimento), sublinha.

"Vemos que, por razões diferentes, mas muitas vezes simultâneas, as pessoas sentem-se agitadas e ansiosas", quer por terem de se expor a maior risco, nomeadamente ao sair de casa para ir para o local de trabalho onde têm de contactar com colegas ou com o público, quer pela preocupação face à deterioração da sua situação económica, refere a ENSP.

Para os investigadores, "são necessárias medidas de apoio social e económico para mitigar os efeitos da crise, particularmente neste grupo, que vê deteriorada a sua situação socioeconómica, mas que representa parte importante da 'força motora' para superar a crise nos próximos tempos".

Os últimos dados da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia indicam que Portugal contabiliza 1.190 mortos associados à covid-19 em 28.583 casos confirmados de infeção.

Portugal entrou no dia 03 de maio em situação de calamidade devido à pandemia, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.

Esta nova fase de combate à covid-19 prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância ativa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.

O Governo aprovou na sexta-feira novas medidas que entram em vigor na segunda-feira, entre as quais a retoma das visitas aos utentes dos lares de idosos, a reabertura das creches, aulas presenciais para os 11.º e 12.º anos e a reabertura de algumas lojas de rua, cafés, restaurantes, museus, monumentos e palácios.

O regresso das cerimónias religiosas comunitárias está previsto para 30 de maio e a abertura das praias para 06 de junho.

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