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Azeredo não estranhou atitude do informador porque "vê filmes policiais"

O ex-ministro da Defesa revelou em sede de tribunal, num interrogatório que durou cerca de sete horas, que não achou estranho o facto de o informador não querer ser identificado. Em causa está o facto, justificou Azeredo Lopes, de ver "filmes policiais".

Azeredo não estranhou atitude do informador porque "vê filmes policiais"

Azeredo Lopes, arguido no processo de Tancos, foi ouvido na segunda-feira pelo juiz Carlos Alexandre e declarou não ter sido cúmplice da encenação do achamento das armas roubadas dos Paióis. No interrogatório a que a RTP teve acesso, o ex-ministro revelou ainda que não estranhou a forma como foi feita a recuperação do material. Por ver "filmes policiais", considerou normal "a existência de um informador que não queria ser identificado".

O ex-ministro da Defesa revelou ainda na barra do tribunal o que pensou quando recebeu a chamada da então procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, relativamente à encenação em causa. Azeredo Lopes ficou com "a consciência de que a partir daquele momento" iria ficar registado "um incidente", nomeadamente através "da instauração de uma participação disciplinar".

Quanto ao facto de haver um informador que não queria ser identificado com medo da Polícia Judiciária, por mais "extravagante" que lhe tenha "parecido todo este procedimento", Azeredo Lopes considerou ser um 'modus operandi' normal, talvez por "ver filmes policiais".

Esta convicção foi baseada, como alegou, em informações que lhe chegaram através do à data chefe de gabinete, o general Martins Pereira. "Não detetei direta ou indiretamente no senhor general Martins Pereira uma qualquer preocupação, e ele era bastante preocupado com as questões da legalidade", alegou.

O arguido defendeu também que não denunciou o caso porque não é um órgão de investigação criminal e deixou "tudo" nas mãos da Procuradoria-Geral da República.

Sobre a organização do Ministério da Defesa, Azeredo Lopes deixou ainda uma palavra. Apesar de ser organizado, como considerou, chegaram a "desaparecer dossiers inteiros".

Segundo a acusação do MP, a recuperação do armamento furtado dos paióis de Tancos, em junho de 2017, deve-se a um "verdadeiro pacto de silêncio entre Azeredo Lopes e os arguidos da GNR, PJM e que todos criaram sérios obstáculos à descoberta da verdade material". 

Azeredo Lopes, recorde-se, demitiu-se do cargo em 12 de outubro de 2018. Nove dos 23 arguidos do processo de Tancos são acusados de planear e executar o furto do material militar e os restantes 14, entre eles Azeredo Lopes, da encenação que esteve na base da recuperação do equipamento.

O inquérito de Tancos investigou o furto, em 28 de junho de 2017, e as circunstâncias em que aconteceu a recuperação de grande parte do material militar, em 18 de outubro do mesmo ano.

O ex-ministro foi interrogado esta segunda-feira, dia 3 de fevereiro, na fase de instrução do processo de Tancos, no qual é acusado de denegação de justiça, prevaricação, favorecimento pessoal praticado por funcionário e abuso de poder.

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