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Marcelo lembra poeta "atento às vicissitudes políticas da História"

O escritor Manuel Resende, que hoje morreu, em Lisboa, foi um "poeta de cunho surrealista, atento às vicissitudes políticas da História, lírico, sarcástico, empenhado", afirma o Presidente da República, numa nota de pesar.

Marcelo lembra poeta "atento às vicissitudes políticas da História"
Notícias ao Minuto

17:59 - 29/01/20 por Lusa

País Óbito

Marcelo Rebelo de Sousa assinala que "Manuel Resende publicou apenas três livros de poemas, entre 1983 e 2004, que muitos descobriram, na sua força e singularidade, com a edição, em 2018, de 'Poesia Reunida'", pelos Livros Cotovia.

O "poeta e tradutor, tinha da poesia uma noção exigente e estava bem consciente da precariedade da literatura", recorda o Chefe de Estado, citando uma frase de uma entrevista de Manuel Resende, na qual afirmou: "A poesia não é uma coisa garantida".

"Apresento as condolências à família de Manuel Resende", lê-se na nota presidencial, divulgada no portal da Presidência da República.

Marcelo Rebelo de Sousa recorda que Manuel Resende "foi jornalista e tradutor profissional, deixando, no campo da tradução literária, versões de Brecht, de Kafka, e a muito elogiada poesia completa de Kaváfis, entre outros autores".

Licenciado em Engenharia, que nunca exerceu, era apontado como um especialista em grego moderno.

Foi também tradutor de obras como 'A Caça ao Snark', de Lewis Carroll, 'Contos', de Saki, 'A Ronda', de Arthur Schnitzler, 'Crítica da Razão Cínica', de Peter Sloterdijk, e, entre outros, dos 'Contos', de Katherine Mansfield, em colaboração com Francisco Vale e Graça Vilhena.

Considerava um ensaio de Jacques Rougerie, sobre a Comuna de Paris, publicado em 1971, a sua primeira tradução "a sério", como disse em entrevista ao Jornal de Letras Artes e Ideias (JL), na sequência da publicação da "Poesia Reunida".

Trabalhou como jornalista durante seis anos, no Jornal de Notícias, e foi tradutor de instituições da União Europeia.

Literariamente, estreou-se em 1983, com 'Natureza Morta com Desodorizante'.

Sobre este livro disse: "Dei-lhe esse título para não dizer coisa nenhuma. Foi o mais esquisito que consegui arranjar. Há naturezas-mortas com violinos, açucenas, frutas... A minha tem um desodorizante".

Trabalhou como jornalista durante seis anos, no Jornal de Notícias, e foi tradutor nas instituições da União Europeia.

Na sua obra, destacam-se ainda 'Em Qualquer Lugar' (1998) e 'O Mundo Clamoroso, Ainda' (2004).

Além das letras, Manuel Resende participou, na década de 1970, nos Grupos de Ação Comunista, fundando em 1973 a Liga Comunista Internacionalista (LCI), que deu lugar ao Partido Socialista Revolucionário (PSR), na génese do atual Bloco de Esquerda (BE).

Francisco Louçã, um dos fundadores do BE, recorda, nas redes sociais, que Manuel Resende foi o autor das teses sobre a situação política e económica discutidas no congresso de fundação da LCI, ainda na clandestinidade.

Na entrevista ao JL, intitulada "Manuel Resende: Surrealista e mais ainda", o poeta recorda que se encontrava mobilizado em Mafra, no 25 de Abril de 1974, quando já "tinha tudo preparado para desertar".

Com a revolução, manteve-se na tropa, até ser expulso. "Lutei por uma democratização total nos ramos militares. Fiz uma proposta ultra-radical: abolir as patentes, todos deviam fazer todos os serviços. Fui aplaudido. Havia uma excitação com aquelas propostas. Mas depois (...) Até a ideia de um sindicato de soldados, inspirado no que havia na Holanda, foi considerado subversivo".

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