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Prazos e custos impedem escolas de aderir já a projetos inovadores

Os diretores criticaram o pouco tempo dado às escolas para apresentar Planos de Inovação Pedagógica, impedindo-as de aderir já em setembro ao programa que dá mais autonomia e permite optar por dois semestres de aulas.

Prazos e custos impedem escolas de aderir já a projetos inovadores

Para combater o insucesso escolar, o Ministério da Educação possibilita agora a todas as escolas desenharem Planos de Inovação Pedagógica (PIP) adaptados às necessidades dos seus alunos.

Os diretores interessados ainda podem apresentar um projeto educativo à tutela de quem basta ter luz verde para avançar.

No entanto, o número de escolas aderentes no próximo ano letivo deverá ser semelhante ao atual: "Os projetos requerem preparação e acompanhamento, pelo que as escolas que os vão apresentar são, tipicamente, as que iniciaram já um processo de reflexão e discussão há algum tempo", disse à Lusa fonte do Ministério da Educação (ME).

A portaria que dá mais autonomia às escolas e permite, por exemplo, substituir os três períodos por dois semestres ou criar disciplinas adaptadas aos alunos, foi publicada em junho.

Para Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), o diploma foi divulgado "em cima do joelho", não dando tempo às escolas para preparar tudo até setembro.

Através dos Planos de Inovação Pedagógica, as escolas têm mais autonomia para alterar práticas e critérios de avaliação. O objetivo é o sucesso académico dos alunos e a redução dos chumbos.

No concelho de Odivelas, às portas de Lisboa, os cerca de 20 mil alunos do 1.º ao 12.º ano já experimentaram o projeto no passado ano letivo.

Sandra Torres é professora do 1.º ciclo em Odivelas há duas décadas e diz que este novo projeto está muito próximo do que já se faz nas escolas primárias.

Ao acompanhar os alunos durante todo o 1.º ciclo, os professores sempre tiveram mais liberdade para adaptar o programa aos alunos: "Nós vamos dando as matérias conforme achamos que os miúdos estão preparados", contou à Lusa.

Muitas vezes, são as crianças que escolhem os temas. As aulas sobre o sistema solar, por exemplo, são sempre um sucesso.

Sandra Torres diz que quando adapta as aulas aos interesses dos miúdos o sucesso é garantido: "Alunos interessados aprendem muito mais, porque não se fartam e não há indisciplina na sala".

Mas uma das mudanças mais visíveis em Odivelas foi a opção por dois semestres de aulas. Com apenas dois momentos de avaliação sumativa, professores e alunos tiveram mais tempo para estar focados em aprender.

Antes, mal começavam as aulas, já estavam a preparar-se para os testes, contou à Lusa Paulo Bernardo, diretor do Agrupamento de Escolas Moinhos de Arroja, onde andam cerca de 1600 alunos.

Aos alunos foram pedidos mais portefólios, mais participação oral nas aulas e mais trabalhos de grupo. Tudo contou para a nota final, mas o foco esteve sempre na aprendizagem.

No primeiro ano, houve disciplinas que passaram a semestrais: Em algumas escolas, os alunos tiveram TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) no primeiro semestre e Educação Musical no segundo, exemplificou Paulo Bernardo.

No final do ano, Paulo Bernardo notou diferenças: alunos mais interessados, maior assiduidade e menos indisciplina.

Para o professor universitário e investigador Domingos Fernandes, que tem acompanhado a aplicação do projeto em Odivelas, este é mais um passo para a "democratização do ensino".

Lembrando o aumento da escolaridade entre a população portuguesa nos últimos 40 anos, Domingos Fernandes defendeu que é agora preciso garantir que os alunos que habitualmente têm mais dificuldades também conseguem ter um percurso de sucesso.

"Tendemos a segregar certas classes sociais, existe uma relação fortíssima entre as reprovações e o estatuto socioeconómico dos alunos. O sistema educativo funciona bem para as classes média e alta. A dificuldade está em lidar com a diferença", alertou.

É entre as crianças de meios socioeconómico mais frágeis que existem mais casos de abandono e chumbos. Os alunos com menos apoio em casa são os que depois têm maior dificuldade em fazer um percurso escolar de sucesso. A ideia dos novos projetos é conseguir adaptar o ensino a estes alunos. Dar tempo para aprender, cada um ao seu ritmo.

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