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SEF desmantela rede de tráfico sexual de mulheres que atuava em Aveiro

No âmbito desta operação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, que dá pelo nome 'El Pibe', foram efetuadas oito detenções, entre as quais a do cabecilha. As vítimas, todas do sexo feminino, eram obrigadas "à prática da prostituição" e "privadas da sua dignidade humana".

SEF desmantela rede de tráfico sexual de mulheres que atuava em Aveiro

Os oito detidos, incluindo o cabecilha da rede de tráfico sexual de mulheres, já eram conhecidos das autoridades europeias, nomeadamente da Europol por antecedentes criminais a nível europeu, embora a operação 'El Pibe' do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) só tenha arrancado "em dezembro do ano passado". Nela participaram 110 elementos da Carreira de Inspeção e Fiscalização SEF, analistas da Europol e elementos das autoridades congéneres de países da União Europeia.

Em declarações à RTP3, o diretor central de investigação do do SEF, Gonçalo Rodrigues, adiantou que as "25 mulheres, entre as quais três menores," vítimas desta rede eram do Leste da Europa.

"Esta operação foi desenvolvida em tempo recorde (quatro meses) e porque era necessário por fim a esta atrocidade. Mais um dia de investigação, era mais um dia que estas mulheres eram sujeitas a quase tortura - eram exploradas a todos os níveis. Estas pessoas não existiam enquanto seres humanos", revelou o diretor do SEF.

Mais tarde, em comunicado enviado às redações, o SEF acrescentou que as detenções de oito cidadãos estrangeiros ocorreram "na zona de Aveiro, Albergaria-a-Velha, Ílhavo e Gafanha da Nazaré", estando os detidos, e membros de "um grupo criminoso organizado que se dedica à exploração sexual de mulheres", indiciados pela prática de crimes "de tráfico de seres humanos, associação criminosa, lenocínio agravado e branqueamento de capitais".

No âmbito da operação 'El Pibe', a autoridade nacional "deu cumprimento a oito mandados de detenção", realizou "12 buscas domiciliárias e 12 buscas a viaturas", das quais apreendeu seis, assim como "ouro, joias, dinheiro e documentos falsos". Foram ainda "efetuadas buscas a duas agências de transferência de dinheiro bem como uma agência de viagens".

Esta rede "que operava em Portugal, e em outros países de União Europeia (UE), aproveitava-se da vulnerabilidade das vítimas que assenta, muitas vezes, em famílias desestruturadas, com parcos rendimentos económicos e sem nenhuma ou baixa autoestima, com episódios de violência doméstica e consumo de álcool e estupefacientes".

As vítimas, tal como adiantou o diretor central de investigação do do SEF à RTP3,  eram todas do sexo feminino, "não exerciam a prática da prostituição de livre vontade e mote próprio, sendo a isso obrigadas e privadas da sua dignidade humana. Eram utilizadas como objetos para ganhar dinheiro, por forma a pagar dívidas e 'comissões' impostas pelo líder da associação criminosa. Violando, sem escrúpulos, a dignidade humana, eram consideradas e tratadas como 'coisas' ou 'objetos' que proporcionam avultados proventos financeiros".

O SEF contou, por isso, nesta operação com a colaboração de elementos da Equipa Multidisciplinar de Apoio à Vítima, "de forma a garantir proteção e apoio psicológico às cerca de 20 mulheres sinalizadas".

Os detidos serão entregues ao Cometlis em Lisboa, onde ficarão detidos até serem presentes às autoridades judiciais, para aplicação das respetivas medidas de coação.

[Notícia atualizada às 17h30]

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