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Cerca de 400 pessoas na marcha pelas vítimas de violência doméstica

Marcha silenciosa partiu às 15h deste domingo da praça Marquês de Pombal em direção à Assembleia da República.

A 'Marcha Silenciosa pelas Vítimas de Violência Doméstica', organizada de forma espontânea através das redes sociais, partiu este domingo da praça Marquês de Pombal e chegou ao Parlamento cerca de uma hora depois, conforme atestaram algumas publicações nas redes sociais.

A manifestação fez eco da discussão que se levantou nos últimos dias sobre violência doméstica, na senda de mais um caso trágico, ocorrido no Seixal, que culminou na morte violenta de uma mulher e uma criança de dois anos de idade, sufocada pelo próprio pai.

Estas duas mortes elevaram para dez o número de vítimas de violência doméstica este ano em Portugal, ou seja, no período de um mês e dez dias. Espanha, país que também regista números alarmantes de feminicídio, contava sete mortes de mulheres às mãos de companheiros ou ex-companheiros no mesmo período -  um país com quatro vezes mais população.

De acordo com a agência Lusa, cerca de 400 pessoas estiveram presentes na marcha silenciosa, que contava com homens, mulheres e crianças. À frente da marcha, uma faixa preta, adornada com folhas onde se podiam ler frases como "A culpa não é da vítima, é de quem agride", "A violência é a arma dos medíocres", "Quem bate em alguém, agride toda a sociedade" ou "A violência não tem desculpa, tem lei".

"A marcha silenciosa pelas vítimas de violência doméstica está a ser a imagem de um país farto de impunidade. Homens, mulheres, pais, mães, meninos, meninas, rapazes e raparigas", escreveu uma utilizadora no Twitter.

"Hoje estamos aqui todos reunidos como um puro exercício de cidadania. Procuramos mobilizar as pessoas em torno de uma causa comum, que é uma causa a favor das vítimas e contra a violência", disse, em declarações à agência Lusa, Joana Marques, uma das promotoras da iniciativa que, como a própria fez questão de frisar, não esteve ligada "a nenhum partido político, a nenhum sindicato ou nenhum movimento associativo".

Em 2018, recorde-se, foram assassinadas 28 mulheres pelos companheiros ou ex-companheiros, um número que já estava acima dos 20 casos registados em 2017.

De acordo com o Observatório de Mulheres Assassinadas, dinamizado pela UMAR (União de Mulheres Alternativa e Resposta), no mesmo período do ano passado contavam-se cinco mortes. Este ano contam-se nove mulheres e uma criança vítimas de violência doméstica.

Entre 2004 e o final de 2018, diz o observatório, "503 mulheres foram mortas em contexto de violência doméstica ou de género".

A presidente da UMAR, Maria José Magalhães, acusou na sexta-feira, após um encontro com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o sistema judicial de falhar na resposta à violência doméstica e pediu a responsabilização de quem não cumpre a lei.

Na quinta-feira, o Governo anunciou a criação de gabinetes de apoio às vítimas de violência doméstica nos Departamentos de Investigação e Ação Penal (DIAP) e um reforço da articulação e cooperação entre forças de segurança, magistrados e organizações que trabalham na prevenção e combate.

Esta foi uma das decisões tomadas numa reunião de trabalho sobre questões críticas associadas aos homicídios ocorridos este ano e à problemática da violência doméstica que juntou vários membros do Governo, a Procuradora-Geral da República, o Coordenador da Equipa de Análise Retrospetiva de Homicídio em Violência Doméstica (EARHVD) e a Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG).

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