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O 'socorro' está a chegar aos trabalhadores da Fundação O Século

Pediram ajuda ao Presidente da República e ao Governo, mas até hoje tudo se mantém “rigorosamente igual”, denunciam os trabalhadores da Fundação O Século. Em dezembro, receberam apenas 35% do salário e chegados ao último dia de janeiro é ainda incerta a possibilidade de receberem o salário. Entretanto, as contas por pagar acumulam-se e há até contratos de arrendamento em risco. Apesar do "desespero", o 'socorro' está a chegar.

O 'socorro' está a chegar aos trabalhadores da Fundação O Século
Notícias ao Minuto

08:10 - 31/01/19 por Ana Lemos 

País IPSS

No último ano, a Fundação O Século tem sido notícia não pela sua vasta obra social de apoio aos mais carenciados, mas por precisar ela, a fundação, de ajuda. Depois de, no início de 2018, se ver envolvida numa investigação por suspeitas da prática de crimes de peculato e de abuso de poder, este ano, e já com uma nova administração, a Fundação O Século volta a dar que falar.

Desde dezembro de 2018 que os trabalhadores não recebem ordenado e continuam sem saber o destino do subsídio de Natal de 2017. No início de janeiro, decidiram agir e denunciar a situação numa carta que endereçaram ao Presidente da República, ao primeiro-ministro, e aos ministros Mário Centeno (Finanças) e Vieira da Silva (Trabalho, Solidariedade e Segurança Social). Mas, até agora, nada. “A situação mantém-se rigorosamente igual”, garante uma funcionária ao Notícias ao Minuto.

Há colegas minhas que, inclusivamente, já receberam cartas dos senhorios (…) a renunciarem o contrato de arrendamento por falta de pagamento. Há situações que nenhum ser humano merece passar. Algumas (…) já não têm luz [ou receberam] avisos de corte de água, gás”, descreve.

“Grande parte dos funcionários não tinha comida para pôr na mesa às suas famílias e a administração disponibilizou-se para levarmos comida da Fundação. Mas as contas de água, luz, transportes, etc., (…) são pagas com o ordenado, coisa que nós não temos”, testemunha esta funcionária, que, tal como os restantes, só recebeu 35% do salário de dezembro e receia não receber este mês.

Confrontado com este “desespero” que está a ser vivido pelos trabalhadores, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (MTSSS) assegurou apenas, em resposta por escrito ao Notícias ao Minuto, que “dadas as condições financeiras excecionais da referida instituição, [a tutela] já atribuiu um apoio financeiro”, mas sem especificar quaisquer datas ou montantes.

A esta informação acresce o facto, sabe o Notícias ao Minuto, de a administração da Fundação O Século ter apresentado uma candidatura ao Fundo de Socorro da Segurança Social, um apoio que se destina "às instituições particulares de solidariedade social ou instituições equiparadas e a famílias". E, apesar de não ter ainda a confirmação oficial da atribuição desse apoio, a resposta do MTSSS ao Notícias ao Minuto indicia que essa ajuda financeira está a chegar. 

Resta saber o que será pago aos trabalhadores. Refira-se que em atraso, além de 65% do salário de dezembro, está o de janeiro e, ainda, o subsídio de Natal de 2017. 

A carta que não deixou Belém e o Governo indiferentes

Na missiva, que 46 trabalhadores assinaram e endereçaram no passado dia 10 de janeiro ao Presidente Marcelo, ao primeiro-ministro e aos ministros Mário Centeno e Vieira da Silva, é reconhecido o "profundo esforço da racionalização que tem vindo a ser feito" pela nova administração, mas também a "dificuldade de tesouraria" resultante da "dívida herdada a fornecedores", que ronda os 750 mil euros, e da "anulação de receitas futuras".

Devido a esta "realidade financeira", pode ler-se na carta a que o Notícias ao Minuto teve acesso, "um terço dos trabalhadores" foi despedido e "impedido o pagamento do ordenado do mês de dezembro" aos restantes.

Por esse motivo, e dirigindo-se às mais altas figuras do Estado, os funcionários da Fundação O Século apelam "a todo o apoio possível no sentido de desbloquear esta situação", que afeta "pessoas que diariamente vestem a camisola e que sentem a magia e um amor incondicional pela instituição".

Contactada pelo Notícias ao Minuto, fonte da Presidência da República garantiu que Belém já respondeu ao apelo dos trabalhadores da Fundação O Século, sublinhando, contudo, que tratando-se de uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) cabe à tutela, ou seja, ao Ministério de Vieira da Silva, uma posição oficial.

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