O documento insta ainda aos parlamentos de todo o mundo para que suspendam todas as relações militares e comerciais com Israel e tomem medidas para terminar com o embargo israelita imposto à Palestina.
O texto foi aprovado por unanimidade pelos 442 deputados presentes numa sessão extraordinária da Assembleia Geral em Ancara, convocada a pedido dos partidos da oposição para abordar a situação na Faixa de Gaza.
Os deputados turcos acusaram Israel de cometer genocídio contra a população do enclave palestiniano, com a fome que usaria como arma de destruição em massa.
"Pedimos a suspensão da participação de Israel na ONU e em organizações internacionais até que o Governo israelita abandone as suas políticas genocidas", pode ler-se na resolução.
"Condenamos veementemente as práticas de ocupação, aniquilação e anexação de Israel contra o povo palestiniano", refere também.
A resolução exige ainda o julgamento judicial dos responsáveis pelos crimes em Gaza e reitera que o estabelecimento de um Estado palestiniano independente e soberano dentro das fronteiras de 1967 é a única forma de alcançar uma paz justa e duradoura.
O ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan, anunciou hoje o encerramento dos portos e do espaço aéreo da Turquia aos navios e aviões militares e oficiais israelitas.
Uma fonte diplomática turca esclareceu à agência de notícias France-Presse (AFP) que o encerramento do espaço aéreo não se aplica aos aviões comerciais israelitas que sobrevoam a Turquia.
A Turquia já tinha suspendido as relações comerciais com Israel no ano passado e os voos diretos entre os dois países.
"Nenhum outro país, para além do nosso, interrompeu completamente o seu comércio com Israel", frisou o ministro turco, durante uma sessão parlamentar extraordinária dedicada à guerra na Faixa de Gaza.
As relações entre Israel e a Turquia deterioraram-se desde o início da guerra na Faixa de Gaza, desencadeada por um ataque do grupo extremista Hamas em solo israelita, a 07 de outubro de 2023, que fez cerca de 1.200 mortos e mais de duas centenas de reféns.
A retaliação de Israel já provocou mais de 63 mil mortos, a destruição de quase todas as infraestruturas de Gaza e a deslocação forçada de centenas de milhares de pessoas.
Israel também impôs um bloqueio à entrega de ajuda humanitária no enclave, onde mais de 300 pessoas já morreram de desnutrição e fome, a maioria crianças.
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