Von der Leyen falava em Helsínquia, numa conferência de imprensa com o primeiro-ministro finlandês, Petteri Orpo, realizada a bordo do Turva, um navio da Guarda Costeira finlandesa.
"A Finlândia sempre conviveu com um vizinho perigoso e imprevisível. Putin não mudou, é um predador", frisou a presidente da Comissão Europeia.
O Turva deteve o petroleiro Eagle S em dezembro, suspeito de pertencer à "frota fantasma" russa, depois de ter rompido cinco cabos submarinos entre a Finlândia e a Estónia com a sua âncora, num alegado caso de sabotagem pelo qual o capitão e dois oficiais estão atualmente a ser julgados num tribunal de Helsínquia.
"Os riscos para os quais a Finlândia tem vindo a alertar há anos materializaram-se. A guerra brutal da Rússia contra a Ucrânia está agora no seu quarto ano, e é óbvio que Putin não vai ficar por aqui", frisou Von der Leyen.
A líder da União Europeia (UE) apontou que a Rússia está a testar a vulnerabilidade das infraestruturas europeias críticas no mar Báltico, algumas das quais foram danificadas, e a utilizar a chamada "frota fantasma" russa para continuar a impulsionar a sua economia de guerra.
Von der Leyen afirmou que a fronteira da Finlândia com a Rússia, a mais longa da UE, com 1.340 quilómetros, é também a fronteira externa da Europa, pelo que defendê-la é uma "responsabilidade partilhada".
A Comissão Europeia propôs triplicar o financiamento para a imigração e proteção das fronteiras no próximo orçamento plurianual, com financiamento adicional para os Estados-Membros vizinhos da Rússia e Bielorrússia, para defenderem as suas fronteiras e apoiarem a atividade económica nas regiões fronteiriças.
"Quero garantir que, quando a Finlândia for testada, toda a nossa União será testada. E é por isso que, à medida que continuamos a reforçar a defesa da Ucrânia, também assumimos uma maior responsabilidade para reforçar a nossa própria defesa", vincou.
A política alemã destacou ainda que a UE tem três tarefas principais pela frente, manter o espírito de urgência na preparação europeia, reforçar as capacidades de defesa da União e contribuir para fortes garantias de segurança para a Ucrânia.
O primeiro-ministro finlandês agradeceu à presidente da Comissão Europeia a sua proposta de atribuição de 1,6 mil milhões de euros para melhorar a segurança das fronteiras do país nórdico no próximo orçamento plurianual da UE.
"Devemos continuar a reforçar as defesas da Europa. A ameaça representada pela Rússia de Putin não desaparecerá mesmo que os combates na Ucrânia terminem. Não se pode confiar em Putin", alertou Orpo.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, adiantou hoje que pelo menos 25 pessoas morreram e mais de 50 ficaram feridas nos ataques russos que visaram Kiev na quinta-feira.
Zelensky apelou mais uma vez a "sanções fortes" contra a Rússia para a obrigar a parar os bombardeamentos e a pôr termo à guerra desencadeada pela invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022.
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