As duas crianças mortas no tiroteio numa escola católica da cidade norte-americana de Minneapolis, na passada quarta-feira, foram identificadas pela família como Fletcher Merkel, de oito anos, e Harper Moyski, de dez anos.
Numa conferência de imprensa, realizada em frente à escola, o pai de Fletcher, Jesse Merkel, lamentou que uma "covarde" tenha decidido tirar-lhe o filho, impedindo-o de o voltar a abraçar.
"Uma covarde decidiu tirar-nos o nosso filho Fletcher, de oito anos. Por causa das suas ações, nunca mais poderemos abraçá-lo, conversar com ele, brincar com ele e vê-lo crescer e tornar-se no jovem maravilhoso que estava a caminho de se tornar", disse Jesse Merkel.
Segundo o homem, Fletcher "amava a família, os amigos, pescar, cozinhar e praticar qualquer desporto".
"Embora o vazio nos nossos corações e nas nossas vidas nunca venha a ser preenchido, espero que, com o tempo, a nossa família consiga encontrar a cura", acrescentou.
Na sua declaração, Merkel agradeceu às "crianças e adultas" que, com "ações rápidas e heróicas", conseguiram evitar que houvesse mais vítimas. "Sem essas pessoas e as suas ações altruístas, isto poderia ter sido uma tragédia de magnitude muito maior. Sou grato a essas pessoas", disse, pedindo que se lembrem do filho "pela pessoa que ele era e não pelo ato que acabou com a sua vida".
"Dêem aos vossos filhos um abraço e um beijo a mais hoje. Nós amamos-vos. Fletcher, estarás sempre connosco", terminou.
Blois Olson, um porta-voz da família Merkel, adiantou que Fletcher era o segundo mais novo de quatro irmãos. O menino de oito anos e dois dos seus irmãos estavam a assistir à missa quando ocorreu o tiroteio.
A família de Harper, a menina de dez anos que também morreu no tiroteio, emitiu um comunicado, recordando-a como uma criança "inteligente, alegre e profundamente amada".
"Estamos devastados por partilhar que a nossa amada filha, Harper Moyski, foi tragicamente morta no recente tiroteio na escola. Harper era uma menina de 10 anos inteligente, alegre e profundamente amada, cujo riso, bondade e espírito tocavam todos que a conheciam", adiantaram os pais, Michael Moyski e Jackie Flavin.
"Os nossos corações estão partidos não só como pais, mas também pela irmã de Harper, que adorava a sua irmã mais velha e está de luto por uma perda inimaginável. Como família, estamos devastados e as palavras não conseguem expressar a profundidade da nossa dor", lê-se no comunicado citado pela NBC News. "A luz de Harper brilhará sempre através de nós e esperamos que a sua memória inspire outros a trabalhar por um mundo mais seguro e compassivo".
Recorde-se que o tiroteio ocorrido na quarta-feira, na Escola Católica Annunciation, em Minneapolis, no estado norte-americano do Minnesota, provocou ainda 17 ferimentos, entre os quais 14 crianças entre os seis e os 15 anos, e três fiéis octogenários.
Do total de feridos, um menino continua "em estado crítico" e outras duas pessoas estão "em estado grave".
A atiradora, identificada como Robin Westman, de 23 anos, pôs fim à própria vida após o ataque.
Na quinta-feira, a polícia local indicou que Westman era membro da igreja e foi aluna da escola até 2017. "Ela foi aluna da escola e membro da igreja. A mãe dela trabalhou para a paróquia durante algum tempo, mas não vimos nada específico que pudesse desencadear a quantidade de ódio que ocorreu ontem", declarou o comandante da polícia de Minneapolis, Brian O'Hara, à NBC News.
A suspeita partilhou alegadamente uma série de vídeos e textos nas redes sociais que mostravam uma coleção de armas com mensagens racistas e antissemitas inscritas, como "seis milhões não foram suficientes", uma referência ao Holocausto.
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