O trio europeu, conhecido como E3, acionou na quinta-feira o mecanismo 'snapback' para restabelecer as sanções da ONU contra Teerão ao abrigo do acordo nuclear com o Irão de 2015 (JCPOA), apoiado por uma resolução do Conselho de Segurança que expira em outubro.
"Recentemente, oferecemos ao Irão uma extensão do 'snapback' caso tomasse medidas específicas para resolver as nossas preocupações mais imediatas. Os nossos pedidos foram justos e realistas: a retoma das negociações do Irão sobre um acordo abrangente, o cumprimento das sua obrigações com a AIEA [Agência Internacional de Energia Atómica] e medidas para abordar as nossas preocupações quanto à elevada reserva de urânio enriquecido", lembrou Barbara Woodward.
"No entanto, até hoje, o Irão não deu nenhuma indicação" de querer responder aos pedidos do E3, avaliou a diplomata britânica, falando em nome dos três países.
Contudo, as três potências europeias garantem que o acionamento do mecanismo de restabelecimento de sanções "não marca o fim da diplomacia", sendo que a "oferta de extensão continua na mesa".
O trio europeu disse ainda esperar que o Irão tome as medidas necessárias para abordar as preocupações da comunidade internacional sobre o seu programa nuclear e instou Teerão a chegar a um acordo com base na oferta europeia e a chegar a uma solução diplomática.
"Caso contrário, sanções da ONU focadas em combater a proliferação nuclear iraniana retornarão no final deste período de 30 dias", insistiu Barbara Woodward, antes de uma reunião a portas fechadas do Conselho de Segurança para abordar o assunto.
O E3 continua determinado em garantir que o Irão nunca consiga uma arma nuclear, reforçou.
"Embora não tenhamos outra escolha a não ser adotar este caminho, continuamos comprometidos com a diplomacia e com a resolução pacífica das ameaças à paz e à segurança globais. Ainda há um caminho diplomático claro a seguir, caso o Irão decida segui-lo", concluiu.
Teerão manifestou hoje disponibilidade para retomar negociações "justas e equilibradas" sobre o programa nuclear, numa carta dirigida à alta representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas.
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