A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou estar "revoltada" com a publicação de fotografias suas e de outras mulheres num site pornográfico e pediu às autoridades que os responsáveis sejam "identificados o mais rapidamente possível e punidos com a máxima severidade".
Em causa está o site Phica, um trocadilho com a gíria italiana para vagina, que publicava imagens adulteradas de mulheres famosas com comentários obscenos. Entre as visadas, além de Meloni, está a sua irmã, Arianna, e a líder da oposição, Elly Schlein.
A página, que contava com mais de 700.000 assinantes, foi encerrada na quinta-feira e os administradores acusaram os utilizadores de "usarem a plataforma de forma incorreta".
"Estou revoltada com o que aconteceu", disse Meloni ao Corriere della Sera, esta sexta-feira. "Quero expressar a minha solidariedade e apoio a todas as mulheres que foram ofendidas, insultadas e violadas na sua intimidade pelos gestores deste fórum e pelos seus utilizadores".
"É desanimador constatar que, em 2025, ainda há quem considere normal e legítimo pisar a dignidade de uma mulher e atacá-la com insultos sexistas e vulgares, escondendo-se atrás do anonimato ou de um teclado", acrescentou.
A primeira-ministra disse ainda "confiar nas autoridades para que os responsáveis sejam identificados o mais rapidamente possível e punidos com a máxima severidade".
As imagens publicadas no Phica foram retiradas de contas pessoais nas redes sociais sem consentimento e alteradas para ampliar partes do corpo ou retratar as mulheres em poses sexuais.
"Conteúdos considerados inofensivos podem, nas mãos erradas, tornar-se uma arma terrível. E todos nós devemos estar cientes disso", lamentou Meloni.
O site, criado em 2005, foi encerrado na sequência de várias denúncias, de pressão pública e de uma publicação que juntou mais de 140 mil assinaturas. Em comunicado, os administradores afirmaram que o Phica era um "espaço pessoal de partilha" e que terá sido utilizado "incorretamente por alguns utilizadores".
A polícia italiana abriu uma investigação para identificar quem são os administradores do site e quem participava com comentários e insultos sexistas.
A polémica estalou dias após a Meta ter encerrado uma página italiana de Facebook intitulada 'Mia Moglie' (Minha esposa), onde vários homens partilhavam imagens íntimas das suas mulheres ou de desconhecidas.
Segundo a BBC, um estudo realizado em 2019 pela Universidade de Milão revelou que 20% das mulheres italianas já passaram por alguma forma de partilha não consentida de fotos íntimas.
Leia Também: Meloni intensifica críticas aos juízes em discurso de 'rentrée' política em Itália