"Tenho visto os debates, há posições contra e a favor. Quem está no poder deve ser sensível às demandas e às reivindicações das pessoas", afirmou José Maria Neves, após ser questionado pelos jornalistas à margem de um evento na cidade da Praia.
Na quinta-feira, os dois partidos da oposição criticaram a decisão do Governo de avançar com a obra, em Achada Grande Frente, na cidade da Praia, considerando que "o momento não é adequado".
O secretário-geral do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Vladimir Silves Ferreira, afirmou que "não há razões" para um monumento numa rotunda custar 150 milhões de escudos (1,36 milhões de euros), classificando a iniciativa como "própria de um Governo perdido em fim de mandato".
Também o presidente da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), João Santos Luís, defendeu que, num cenário de "recursos limitados, em que as famílias enfrentam diariamente dificuldades de acesso aos serviços essenciais", a decisão parece "deslocada da realidade concreta vivida pelos cabo-verdianos".
O Governo anunciou, em 31 de julho, que o Monumento Nacional Liberdade e Democracia será concluído em pouco mais de seis meses.
Os preparativos para o arranque das obras já começaram, gerando várias críticas nas redes sociais e pedidos para a sua suspensão, alegando que os recursos deveriam ser canalizados para apoiar as ilhas afetadas pela tempestade de 11 de agosto, que provocou nove mortos e danos em estradas, casas, pontes e estabelecimentos comerciais.
O deputado do Movimento para a Democracia (MpD, no poder) e ex-ministro da Cultura, Abraão Vicente, escreveu no Facebook que, perante cada crise, "se a resposta for suspender projetos estruturais, símbolos nacionais e referências coletivas, o país estará a admitir que não é capaz de pensar para lá da urgência".
Segundo o deputado, a pobreza e a falta de casas não se resolvem com o cancelamento de monumentos ou obras de arte, mas com "visão estrutural e políticas públicas consistentes", considerando que a proposta de cancelamento é "um sintoma de imaturidade coletiva".
De acordo com o Governo, além do aspeto simbólico, o monumento é estratégico para a valorização cultural e urbana da capital e integra uma estratégia de requalificação da infraestrutura rodoviária para impulsionar a dinâmica socioeconómica.
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