"As minhas intenções eram no interesse do país, não para meu proveito pessoal, mas para a vida das pessoas, incluindo civis e soldados", disse Paetongtarn Shinawatra aos jornalistas após o anúncio da deposição pelo Tribunal Constitucional, que considerou que a ex-responsável tailandesa não cumpriu o seu dever ético durante a chamada.
No veredito, os nove juízes consideraram que Shinawatra não cumpriu os padrões éticos exigidos a um primeiro-ministro no telefonema de 18 de junho com Hun Sen, atual presidente do Senado, que divulgou o áudio na rede social Facebook.
Em 01 de julho, os juízes do Tribunal Constitucional decidiram suspender temporariamente a primeira-ministra enquanto analisavam o caso.
No áudio de cerca de 17 minutos, Paetongtarn Shinawatra referiu-se a Hun Sen como "tio", em sinal de respeito, e "opositor" ao tenente-general Boonsin Phadklang, que dirige um comando militar tailandês, posicionado na fronteira com o Camboja.
Paetongtarn, que admitiu que a voz reproduzida no Facebook era a sua, pediu desculpa publicamente pelo áudio, e explicou que, com o que disse, tentava diminuir a tensão na fronteira entre os dois países, que havia aumentado desde o final de março, após um breve confronto entre os exércitos, no qual um soldado cambojano morreu.
Depois de semanas de tensão entre os dois países, começou a 24 de julho um confronto armado entre os exércitos da Tailândia e do Camboja em vários pontos da fronteira, que durou cinco dias e causou pelo menos 44 mortos.
Há uma semana, o pai de Paetongtarn e antigo primeiro-ministro tailandês Thaksin Shinawatra foi absolvido no processo em que era acusado de crime de lesa-majestade.
O bilionário, de 76 anos, podia ter sido condenado a 15 anos de prisão.
Paetongtarn é o terceiro membro da família Shinawatra a ser afastado da chefia de governo, depois do pai e da tia Yingluck Shinawatra, ambos derrubados por golpes militares.
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