"Informei o Presidente sobre o problema que está agora a acontecer na zona de Oecussi. Já escrevi uma carta ao Presidente indonésio, Prabowo Subianto, e também ao embaixador da Indonésia em Timor-Leste, Okto Dorinus Manik, para dizer que é preciso encontrar urgentemente uma solução para este problema", afirmou o chefe do Governo aos jornalistas, após uma reunião com o Presidente timorense, José Ramos-Horta, no Palácio Presidencial, em Díli.
Segundo o primeiro-ministro, se não forem os próprios cidadãos das duas margens da fronteira a manter o entendimento, os problemas continuarão e não haverá solução.
No dia 23 de agosto, membros da comunidade do suco Inbate, no subdistrito de Bikomi Nilulat, na província de Nusa Tenggara Timur (NTT), Indonésia, impediram a equipa timorense de gestão da fronteira liderada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros de fazer o seu trabalho.
A equipa de Timor-Leste desenvolvia um programa de continuidade para a instalação de um novo marco fronteiriço localizado na área entre Inbate e Fatubasin, na aldeia de Quiubiselo, suco Bobometo, sub-região de Oesilo, Região Administrativa Especial de Oecussi-Ambeno (RAEOA).
A equipa, acompanhada por elementos da Unidade de Patrulhamento de Fronteira (UPF) do posto de Fatubasin, tinha como objetivo erguer um marco da Zona Livre entre Timor-Leste e a Indonésia.
Mas, membros da comunidade de Inbate, do lado indonésio, tentaram impedir a ação e, quando elementos da UPF procuraram dialogar, foram subitamente atacados por homens armados com catanas e pedras, resultando em ferimentos num agente da UPF.
Na semana anterior, um cidadão indonésio foi baleado, suspeitando-se que o ataque tenha sido perpetrado por pessoas do lado timorense.
O primeiro-ministro afirmou que, para resolver esta questão, os dois países deveriam criar uma missão conjunta de investigação, de forma a evitar novos incidentes.
No encontro, Xanana Gusmão informou também o Presidente sobre os resultados das negociações entre Timor-Leste e a Indonésia relativas à fronteira marítima.
"Informei o Presidente que, este ano, haverá mais uma reunião, estando já previsto um mínimo de quatro encontros. Até ao final do ano, realizar-se-á outro encontro na Indonésia", concluiu Xanana Gusmão.
No passado dia 19, Timor-Leste e a Indonésia realizaram o primeiro encontro formal para negociação da fronteira marítima entre os dois países, após mais de uma década de diálogo informal.
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