Mas este responsável preferiu manter o anonimato, porque a mudança de responsáveis na agência ainda não foi formalmente anunciada.
A administração Trump deseja que O'Neill substitua Susan Monarez, que a Casa Branca demitiu apenas um mês após esta ter iniciado o cargo. E, por seu lado, Monarez está a lutar para manter o posto.
Esta demissão deixou a principal agência de saúde pública do país numa grande instabilidade e três dos seus altos responsáveis foram hoje escoltados na sede.
A turbulência no CDC já desencadeou um raro debate bipartidário, enquanto Kennedy tenta avançar com políticas antivacinas, que são contraditórias com décadas de pesquisa científica.
O caos surgiu semanas antes de um importante comité consultivo, que Kennedy remodelou colocando nele céticos em relação às vacinas, estar prestes a reunir-se para emitir novas recomendações sobre imunizações.
Dois senadores republicanos já pediram a supervisão no Congresso e alguns democratas disseram que Kennedy deveria ser demitido.
A audição de Kennedy no Capitólio está agendada para 4 de setembro.
Até agora, não houve explicação dada para a demissão da diretora do CDC, Kennedy não explicou a decisão de destituir Susan Monarez como diretora, mas avisou que mais mudanças poderiam estar a caminho.
"Há muitos problemas no CDC e isso vai exigir a dispensa de algumas pessoas a longo prazo, para que possamos mudar a cultura institucional", afirmou Kennedy numa conferência de imprensa no Texas.
A Casa Branca disse apenas que Monarez "não estava alinhada com" a agenda do presidente Donald Trump.
Também não há informações sobre quando um substituto poderá ser nomeado. Os advogados de Monarez dizem que esta se recusou "a aprovar diretrizes não científicas e imprudentes e a demitir especialistas dedicados à saúde." E está a lutar contra sua demissão, afirmando que a decisão deve vir diretamente do Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, que a nomeou em março.
Tudo começou na noite da última quarta-feira com o anúncio da administração Trump que Monarez não lideraria mais o CDC.
Em resposta, três responsáveis da agência de saúde --- Debra Houry, Demetre Daskalakis e Daniel Jernigan --- apresentaram demissão de cargos seniores.
Monarez tentou bloquear a interferência política, disseram os ex-responsáveis do CDC. Aqueles responsáveis regressaram hoje à agência para levar os seus pertences, e membros da equipe do CDC em dificuldades planeavam reunir-se à tarde para aplaudi-los, enquanto deixavam o campus de Atlanta.
Mas a remoção dos pertences por pessoal de segurança, mais cedo, pela manhã, abafou esses planos, de acordo com responsáveis atuais e antigos.
Houry e Daskalakis disseram à agência de notícias Associated Press que Monarez tentou proteger-se contra a interferência política na pesquisa científica e nas recomendações de saúde. "Íamos ver se ela conseguia aguentar a tempestade. E quando ela não conseguiu, já não tínhamos mais nada a fazer", afirmou Houry.
Daskalakis demitiu-se como chefe do Centro Nacional de Imunização e Doenças Respiratórias e Jernigan do Centro Nacional para Doenças Infecciosas Emergentes e Zoonóticas.
Se a demissão avançar mesmo, Monarez será a diretora com menor tempo de serviço desde que o CDC foi fundado, em 1946, agravando um vácuo de liderança que persiste desde que Trump assumiu o cargo.
Inicialmente Trump escolheu David Weldon, um ex-congressista da Flórida que é médico e cético em relação às vacinas, mas retirou esta nomeação em março. Monarez, uma cientista governamental de longa data, foi escolhida de seguida para liderar da agência que gere 9,2 bilhões de dólares, quando era diretora interina.
Mas perguntas surgiram imediatamente no círculo de Kennedy sobre sua lealdade ao movimento "Faça a América Saudável Novamente", especialmente dado seu apoio anterior às vacinas da Covid-19 que Kennedy tem criticado rotineiramente.
Responsáveis do CDC que estão a sair da agência dizem estar preocupados que a ciência seja comprometida. Houry e Daskalakis disseram que Monarez tentou garantir que as salvaguardas científicas estivessem em vigor.
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