"É muito raro que o Exército seja tão franco sobre os seus motivos", sublinhou hoje, à agência Efe, Noa Sattath, diretora executiva da Associação pelos Direitos Civis em Israel (ACRI), que apresentou a queixa.
De acordo com o grupo, que anunciou a sua decisão em comunicado na segunda-feira, esta é a primeira queixa contra um alto funcionário apresentada por um grupo israelita por alegados crimes de guerra na Cisjordânia desde o início da ofensiva na Faixa de Gaza, em outubro de 2023.
O general Avi Bluth surgiu num vídeo divulgado na passada sexta-feira, pouco depois de as autoridades terem detido um palestiniano suspeito de tentar disparar sobre colonos perto da aldeia de Al Mughayir, a leste de Ramallah.
"Toda a aldeia e cada inimigo devem saber que, se realizarem uma operação [ataque], pagarão um preço elevado", frisou Bluth.
"Every village and every enemy must know that if they carry out an attack against the (settlers), they'll pay a heavy price. They will experience curfew, siege and (landscape) shaping operations... Focusing on Al-Mughayyir... We are now going after this village"
— B.M. (@ireallyhateyou) August 24, 2025
Avi Bluth, head… https://t.co/9uEnOejcIa pic.twitter.com/zsYhdaE18R
Nos dias seguintes, os soldados arrancaram cerca de 3.100 árvores na aldeia, "causando extensos danos materiais", acusou a ACRI.
A queixa, apresentada ao procurador-geral militar, é o primeiro passo legal antes de apresentar uma denúncia.
"Se o Estado não responder, pretendemos avançar com os procedimentos legais", explicou Sattath, detalhando que as autoridades têm até 21 dias para responder à sua queixa.
A organização, que denuncia regularmente abusos cometidos pelas autoridades israelitas contra palestinianos na Cisjordânia ocupada, decidiu tomar a iniciativa de apresentar uma queixa formal devido à contundência das declarações de Bluth.
"Normalmente, quando nos queixamos de algo, costumam dizer que houve um terrorista envolvido ou que houve um risco para as forças. E, embora consideremos frequentemente estes argumentos fracos, é muito difícil comprová-los", salientou a diretora executiva.
"Não estou a dizer que o Exército não tenha aplicado punições coletivas no passado, mas nunca disseram que o estavam a fazer", acrescentou.
Um porta-voz militar israelita disse à Efe no sábado que a destruição das oliveiras tinha como objetivo "melhorar as defesas, especialmente após o ataque terrorista ocorrido na quarta-feira".
Nesse dia, um palestiniano terá aberto fogo contra colonos que pastavam as suas ovelhas na aldeia palestiniana, ferindo uma antes de fugir. O Exército afirma que a vegetação foi removida para melhorar a visibilidade na zona.
A violência na Cisjordânia, território ocupado por Israel desde 1967, tem aumentado desde o início da guerra em Gaza, desencadeada por um ataque sem precedentes do movimento islamista Hamas em solo israelita, a 07 de outubro de 2023.
De acordo com uma contagem da agência France-Presse (AFP) baseada em dados da Autoridade Palestiniana, pelo menos 972 palestinianos, incluindo muitos combatentes, foram mortos por soldados ou colonos israelitas.
Dados oficiais israelitas indicam que pelo menos 36 civis e soldados israelitas foram mortos em ataques palestinianos ou durante operações militares israelitas.
Pode ver, na galeria acima, imagens da destruição das oliveiras.
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