O chefe do Governo de Beirute, Nawaf Salam, agradeceu à França pela iniciativa de propor o prolongamento da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) até 31 de dezembro de 2026, bem como a "todos os Estados amigos" membros do Conselho de Segurança, que demonstraram "compreensão pelas preocupações" do seu país.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas renovou hoje, pela última vez, o mandato da FINUL, após quase cinco décadas de presença no terreno.
A resolução foi adotada de forma unânime pelos 15 Estados-membros do órgão das Nações Unidas e prevê uma redução e retirada ordenada e segura das tropas internacionais a partir de 31 de dezembro de 2026 no prazo de um ano.
O embaixador de Israel na ONU considerou pelo seu lado que a decisão traz "boas notícias", na perspetiva de que a FINUL vai acabar em 2027.
"Pela primeira vez, temos boas notícias da ONU", comentou Danny Danon numa mensagem vídeo em que acusa a missão de não conseguir impedir o grupo xiita libanês Hezbollah de "assumir o controlo da região" sul do país, junto da fronteira com Israel.
A FINUL foi criada para supervisionar a retirada de Israel do sul do Líbano, após a invasão das suas tropas em 1978, e foi sucessivamente renovada, tornando-se numa das missões de paz mais longas no mundo.
Posições dos chamados "capacetes azuis" foram atingidas pelas forças israelitas, que voltaram a invadir a região, durante a guerra travada ao longo do último ano com o Hezbollah, quando o movimento apoiado pelo Irão partiu em apoio do seu aliado palestiniano Hamas no conflito na Faixa de Gaza.
Após quase um ano de troca de tiros ao longo da fronteira israelo-libanesa, Israel lançou uma forte campanha aérea no verão do ano passado, que decapitou a direção do Hezbollah, incluindo o seu líder histórico, Hassan Nasrallah, e vários outros altos membros da sua hierarquia política e militar.
Após um cessar-fogo em vigor desse novembro, o Governo libanês, sob pressão dos Estados Unidos e de Israel, encarregou o Exército de preparar um plano para desarmar o Hezbollah, que pelo seu lado já anunciou que não tenciona obedecer.
Apesar da trégua, Israel continua a manter posições militares no sul do Líbano e a bombardear alvos alegadamente do grupo xiita no país.
De acordo com dados da FINUL, a missão conta com 10.500 militares de manutenção da paz, provenientes de cerca de meia centena de países, complementados por uma 'task force' marítima com cinco embarcações, e realiza cerca de 14 mil atividades de segurança por mês, das quais 17% são conjuntas com as forças libanesas.
Entre as suas missões, presta assistência a cerca de 15 mil soldados libaneses destacados para manter a paz na fronteira com Israel e impedir o tráfico de armas numa região que é um bastião do Hezbollah.
Em 18 de agosto, o primeiro-ministro libanês pediu ao enviado especial da Casa Branca para a Síria, Thomas Barrack, que pressionasse Israel a cumprir a sua parte do acordo de cessar-fogo, destacando a importância do mandato da FINUL.
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