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Biden prepara campanha violenta contra Trump, dizem analistas

O Presidente dos EUA e candidato democrata, Joe Biden, lançou esta semana um violento anúncio televisivo contra o seu adversário republicano, Donald Trump, antecipando uma dura campanha eleitoral.

Biden prepara campanha violenta contra Trump, dizem analistas
Notícias ao Minuto

08:57 - 22/06/24 por Lusa

Mundo EUA/Eleições

"Vemos Donald Trump tal como ele é. Ele foi condenado por 34 crimes. Foi acusado de abuso sexual. Cometeu fraude fiscal", diz o vídeo de campanha eleitoral do Partido Democrata nos seus primeiros segundos, retratando a imagem do candidato republicano a preto e branco e com um ar de suspeito e de criminoso.

Para vários analistas, este vídeo -- o primeiro da candidatura de Joe Biden e de Kamala Harris, em pré-campanha para as eleições presidenciais de 05 de novembro -- denuncia o que poderá vir a ser um ambiente político norte-americano particularmente violento nos próximos meses.

"Há quatro anos, ninguém imaginaria Biden a patrocinar um vídeo com este grau de violência nas suas denúncias. O candidato democrata parece estar a reinventar-se para esta campanha eleitoral, preparando-se para um cenário de 'guerra política aberta'", explicou à agência Lusa Diana Waltz, investigadora de Ciência Política no Hunter College, em Nova Iorque.

Esta analista recorda que este vídeo faz parte de um enorme investimento que os democratas estão a preparar para lançar nos estados que podem vir a ser decisivos no resultado final das eleições, em particular Pensilvânia, Arizona e Wisconsin, onde Biden parece estar a ter dificuldades em ultrapassar o seu adversário republicano.

De resto, num recente encontro de líderes democratas, várias figuras de relevo mostraram-se favoráveis a expor o lado negro da candidatura de Trump, apostando em vídeos de campanha que retratassem os processos judiciais em que ele está envolvido e não o poupando nas críticas sobre as suas atitudes consideradas racistas e homofóbicas por vários setores mais à esquerda na sociedade dos Estados Unidos.

Quando Trump foi condenado por 34 crimes num recente julgamento em Nova Iorque, demorou apenas 19 minutos após o veredicto do júri para que o governador do Illinois, o democrata J.B. Pritzker, fosse para as redes sociais acusar o candidato republicano de ser um "criminoso sem escrúpulos".

Esta postura não é consensual dentro do Partido Democrata e são também muitos os dirigentes que preferem que Biden mantenha um tom de recato, evitando 'campanhas negras' contra o adversário republicano, sobretudo para não o imitar numa estratégia de guerrilha política, tantas vezes criticada pelo atual inquilino da Casa Branca.

"Mas o vídeo desta semana não deixa dúvidas sobre qual a estratégia que está a prevalecer. Biden vai mesmo jogar duro nesta campanha", defendeu à Lusa Michel Goff, professor de Comunicação Política na Universidade de Paris.

Para este investigador - que está a preparar um livro sobre as eleições presidenciais norte-americanas de 2020 -, os conselheiros de Biden não estão certos sobre o efeito que terá nos eleitores os processos judiciais de Trump ou mesmo a sua condenação.

"Alguns setores democratas temem que se Biden se envolver nestes ataques, cresça a ideia -- alimentada por Trump -- de que todos estes processos estejam a ser manietados a partir da Casa Branca", explicou Goff.

Até hoje, e depois de vários comícios de pré-campanha, Biden apenas por uma vez acusou Trump publicamente de ser um criminoso; e mesmo assim, foi num discreto evento de angariação de fundos, no Connecticut, e com as câmaras televisivas desligadas.

Do lado de Trump, ainda não houve uma reação ao vídeo de campanha dos democratas, o que é pouco usual no candidato republicano, que rapidamente responde a ataques vindos do outro lado e os aproveita para realinhar a sua própria estratégia de ataque político.

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