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Sérvia "orgulhosa" após votação da ONU que "não conseguiu estigmatizar"

O Presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, afirmou que a sua nação está "orgulhosa" após a Assembleia geral da ONU ter aprovado por maioria simples e numerosas abstenções a declaração do Dia Internacional em Memória do Genocídio de Srebrenica.

Sérvia "orgulhosa" após votação da ONU que "não conseguiu estigmatizar"
Notícias ao Minuto

20:34 - 23/05/24 por Lusa

Mundo Sérvia

"Somos uma nação orgulhosa de representar o povo dos valentes (...) e quem queria estigmatizar o povo sérvio não o conseguiu nem o conseguirá", afirmou após a votação de um texto promovido pela Alemanha e Ruanda.

A resolução prevê que se assinale anualmente, em 11 de julho, o Dia Internacional em Memória do Genocídio de Srebrenica, e foi aprovada em votação na Assembleia geral por 84 votos a favor, 19 contra e 68 abstenções.

Em julho de 1995, a cinco meses do final da guerra civil iniciada na Bósnia-Herzegovina durante a primavera de 1992, cerca de 7.500 homens e rapazes muçulmanos bósnios em idade de combater foram mortos na sequência do assalto militar das forças sérvias bósnias a este enclave do oeste.

As forças sérvias enviaram as mulheres, crianças e idosos para as regiões controladas pelos bosníacos (muçulmanos bósnios), e indicaram que a maioria das vítimas foi morta em combate quando milhares de detidos, muitos deles armados, escaparam dos centros de detenção em Srebrenica e tentaram romper as linhas sérvias em direção a territórios controlados pela Armija, o seu Exército. Muitos terão sido executados sumariamente.

"Qual era o objetivo desta resolução? Atribuir a culpa a uma parte, ao povo da Sérvia e à Republika Srpska [RS, a entidade sérvia da Bósnia-Herzegovina]. Francamente, e falando de legitimidade, isto fracassou", assinalou Vucic no seu discurso final perante o organismo multilateral.

No entanto, admitiu "os terríveis erros e terríveis crimes cometidos por alguns compatriotas" no decurso da guerra civil bósnia (1992-1995) e disse estar comprometido em "manter a paz, a estabilidade e a credibilidade" nas suas relações com a minoria bosníaca (muçulmana) em território sérvio.

O chefe do Executivo sérvio tinha advertido perante a Assembleia geral, pouco antes da votação, que o reconhecimento desta efeméride "abriria a caixa de Pandora" e implicaria "uma divisão e crise regional" nos Balcãs.

Em paralelo, o presidente da Republika Srpska, Milorad Dodik, tinha vindo a indicar nos últimos dias que, em caso de aprovação da resolução, proclamaria a independência da entidade e a sua adesão à Sérvia, uma decisão que provavelmente voltará a adiar.

Em 2004, o extinto Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia (TPIJ), uma instância judicial 'ad hoc' da ONU com sede em Haia, determinou que os crimes cometidos em Srebrenica em julho de 1995 constituíam genocídio, uma deliberação apoiada pelo Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), o principal órgão judicial das Nações Unidas, em 2007.

"O Tribunal estabeleceu para além de qualquer dúvida razoável que a morte de 7.000 a 8.000 prisioneiros muçulmanos bósnios foi genocídio", anunciou na ocasião o TPIJ.

Posteriormente, a justiça internacional condenou diversos altos responsáveis sérvios bósnios, incluindo os líderes político e militar, Radovan Karadzic e Ratko Mladic, ambos a cumprir prisão perpétua.

Entre os patrocinadores da resolução constam os Estados Unidos e Reino Unido, juntamente com muitos países da União Europeia (UE) e da Organização de Cooperação Islâmica (OCI), para além de todos os países que integravam a ex-Jugoslávia, à exceção da Sérvia e da Republika Srpska (RS).

No rescaldo da votação, Belgrado também se terá congratulado pelo facto de os votos contra e as abstenções superarem os votos a favor da iniciativa avançada por Berlim e Kigali.

Leia Também: ONU. Resolução sobre Srebrenica "não contribui para superar horrores"

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