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Um morto em voo? Turbulência será cada vez mais comum, diz especialista

Crise climática vai aumentar incidência de episódios de turbulência em viagem aéreas, avisam especialistas.

Um morto em voo? Turbulência será cada vez mais comum, diz especialista
Notícias ao Minuto

17:40 - 21/05/24 por Marta Amorim

Mundo Aviação

O grave e recente episódio a bordo de um avião da Singapore Airlines, no qual um passageiro morreu, levanta preocupações sobre a turbulência e os seus riscos para as aeronaves e passageiros. 

Os especialistas dizem que é extremamente improvável que a maioria dos voos resulte em ferimentos ou danos, mas notam que têm havido numerosos incidentes recentes devido à turbulência.

“Felizmente, as mortes por turbulência em voos comerciais são muito raras, mas infelizmente aumentaram em uma hoje”, disse Paul Williams, professor de ciências atmosféricas na Universidade de Reading, no Reino Unido, num comunicado divulgado nesta terça-feira e citado pela CNN Internacional. 

Em acidentes não fatais, a turbulência é a principal causa de ferimentos em assistentes de bordo e passageiros, de acordo com a Federal Aviation Administration, e é um dos tipos de acidentes aéreos mais comuns atualmente, de acordo com o National Transportation Safety Board dos EUA. Segundo o Centro Nacional de Investigação Atmosférica, custa às companhias aéreas americanas - devido a ferimentos, atrasos e danos - até 500 milhões de dólares por ano.

Cerca de 65 mil aviões sofrem turbulência moderada todos os anos nos EUA e cerca de 5.500 sofrem turbulência grave. Estes números, no entanto, podem estar destinados a crescer. Williams acredita que as alterações climáticas estão a modificar a turbulência e começou a estudar o assunto em 2013. "Fizemos algumas simulações em computador e descobrimos que a turbulência severa poderia duplicar ou triplicar nas próximas décadas", afirma. 

As descobertas, que mais tarde foram confirmadas por observações, destacam um tipo de turbulência chamada "turbulência de ar claro", que não está ligada a nenhum sinal visual, como tempestades ou nuvens. Ao contrário da turbulência normal, surge subitamente e é difícil de evitar.

A análise de Williams prevê que a turbulência no ar aumentará significativamente em todo o mundo no período de 2050-2080, em particular ao longo das rotas de voo mais movimentadas, e que o tipo de turbulência mais forte aumentará ainda mais.

No entanto, tal não significa que voar será menos seguro. "Os aviões não vão começar a cair do céu, porque as aeronaves são construídas com especificações muito elevadas e podem suportar a pior turbulência que podem esperar encontrar, mesmo no futuro", afirma Williams.

No entanto, a duração média da turbulência irá aumentar. "Normalmente, num voo transatlântico, podemos contar com 10 minutos de turbulência. Penso que, dentro de algumas décadas, esse tempo poderá aumentar para 20 minutos ou meia hora. O sinal do cinto de segurança será muito mais ativado, infelizmente para os passageiros", finaliza o especialista. 

Leia Também: Terror no céu. Tudo sobre o voo da Singapore Airlines que matou britânico



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