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EUA instam Netanyahu a "ligar" ofensiva em Gaza a estratégia política

O conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, Jake Sullivan, instou hoje o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a "ligar" a ofensiva militar de Israel na Faixa de Gaza a uma estratégia política para o futuro.

EUA instam Netanyahu a "ligar" ofensiva em Gaza a estratégia política
Notícias ao Minuto

00:00 - 20/05/24 por Lusa

Mundo Israel/Palestina

Sullivan reuniu-se em Jerusalém com Netanyahu, o Presidente israelita, Isaac Herzog, e outros líderes políticos, após um encontro prévio, na Arábia Saudita, com o príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman.

Na sua reunião com Netanyahu, Sullivan "reafirmou a necessidade de Israel ligar as suas operações militares a uma estratégia política que possa assegurar a derrota duradoura do [movimento islamita palestiniano] Hamas, a libertação de todos os reféns e um futuro melhor para Gaza", indicou a Casa Branca num comunicado.

Esta mensagem de Washington surge num momento de turbulência interna em Israel, depois de o ministro do gabinete de guerra Benny Gantz ter ameaçado no sábado abandonar o Governo a 08 de junho, se Netanyahu não chegar a acordo sobre um plano pós-guerra para a Faixa de Gaza até essa data, incluindo quem poderá governar o enclave palestiniano devastado.

O ministro da Defesa, Yoav Gallant, também membro do gabinete de guerra, tem igualmente uma relação tensa com Netanyahu e contradisse-o publicamente, declarando-se contra qualquer Governo israelita de tipo militar em Gaza.

Durante a sua visita a Jerusalém, Sullivan reuniu-se com o Grupo Consultivo Estratégico Estados Unidos-Israel (SCG), encarregado de coordenar questões de segurança, tendo sido informado em pormenor sobre as operações militares israelitas na Faixa de Gaza, segundo a Casa Branca.

Nesse encontro, as duas partes discutiram "métodos" para assegurar a derrota do Hamas, minimizando os danos aos civis, e Sullivan reiterou que o Presidente norte-americano, Joe Biden, se opõe a uma operação militar em grande escala em Rafah, no extremo sul de Gaza, na fronteira com o Egito, zona onde se encontravam refugiados cerca de 1,4 milhões de palestinianos obrigados a deslocar-se, muitos deles várias vezes, ao longo dos mais de sete meses da guerra israelita contra o Hamas.

De acordo com a Casa Branca, Sullivan também debateu com Netanyahu e outros dirigentes israelitas os esforços dos Estados Unidos, juntamente com o Qatar e o Egito, para mediar negociações entre Israel e o grupo islamita Hamas com o objetivo de assegurar a libertação de todos os reféns ainda em cativeiro em Gaza.

Além disso, Sullivan "propôs uma série de medidas concretas" para garantir que mais ajuda chegará a Gaza, entre as quais a abertura de todos os postos de passagem fronteiriça existentes e a utilização da doca flutuante construída pelos Estados na costa norte da Faixa de Gaza, onde já começou a entrar ajuda humanitária.

Por último, a Casa Branca referiu que Sullivan e os seus interlocutores falaram sobre passos a dar para criar um "mecanismo de redução da escalada do conflito mais eficaz", que permita aos trabalhadores humanitários entregar a ajuda em Gaza em segurança e estabelecer corredores fixos dentro do enclave para facilitar a sua distribuição.

Israel declarou a 07 de outubro do ano passado uma guerra na Faixa de Gaza para "erradicar" o movimento islamita palestiniano Hamas depois de este, horas antes, ter realizado em território israelita um ataque de proporções sem precedentes, matando mais de 1.170 pessoas, na maioria civis.

O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) -- desde 2007 no poder em Gaza e classificado como organização terrorista pelos Estados Unidos, a União Europeia e Israel -- fez também 252 reféns, 124 dos quais permanecem em cativeiro e 37 morreram entretanto, segundo o mais recente balanço do Exército israelita.

A guerra, que hoje entrou no 226.º dia e continua a ameaçar alastrar a toda a região do Médio Oriente, fez até agora na Faixa de Gaza 35.456 mortos, 79.476 feridos e cerca de 10.000 desaparecidos, presumivelmente soterrados nos escombros, na maioria civis, de acordo com números atualizados das autoridades locais.

O conflito causou também quase dois milhões de deslocados, mergulhando o enclave palestiniano sobrepovoado e pobre numa grave crise humanitária, com mais de 1,1 milhões de pessoas numa "situação de fome catastrófica" que está a fazer vítimas - "o número mais elevado alguma vez registado" pela ONU em estudos sobre segurança alimentar no mundo.

O conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca abordou também com Netanyahu o "potencial" de um acordo de normalização de relações entre Israel e a Arábia Saudita, após uma reunião com o dirigente 'de facto' da Arábia Saudita, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, na cidade saudita de Dhahran, no leste do país.

Salman e Sullivan discutiram uma versão "quase final" de um acordo para reforçar as relações de segurança entre os respetivos países, informou hoje a agência noticiosa oficial saudita SPA.

Os dois debateram também "o trabalho realizado por ambas as partes sobre a questão palestiniana, para encontrar uma via credível para uma solução de dois Estados que satisfaça as aspirações do povo palestiniano e os seus direitos legítimos", bem como os esforços para pôr fim à guerra e facilitar a entrada de ajuda humanitária no território palestiniano, segundo a mesma fonte.

O Governo norte-americano está a tentar concluir um acordo que leve a Arábia Saudita a reconhecer Israel pela primeira vez, em troca de um pacto de defesa com Washington e de assistência dos Estados Unidos para um programa nuclear civil com capacidade para enriquecimento de urânio.

Leia Também: Joe Biden diz apoiar "manifestações pacíficas" e insiste em dois Estados

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