Meteorologia

  • 29 MAIO 2024
Tempo
29º
MIN 15º MÁX 29º

Partidos da 'geringonça' espanhola pedem a Sánchez para não se demitir

A maioria dos partidos que viabilizaram o último governo espanhol manifestaram-se hoje solidários com o primeiro-ministro, o socialista Pedro Sánchez, e pediram-lhe para continuar no cargo, depois da ameaça de demissão de quarta-feira.

Partidos da 'geringonça' espanhola pedem a Sánchez para não se demitir
Notícias ao Minuto

15:34 - 25/04/24 por Margarida Pinto

Mundo Espanha

Sánchez cancelou a agenda dos próximos dias e disse que na segunda-feira revelará se vai continuar à frente do Governo, após ser conhecida uma investigação judicial que envolve a mulher, Begoña Gómez, e que o primeiro-ministro atribui a uma perseguição pessoal e a uma "máquina de lodo" do Partido Popular (PP, direita) e do Vox (extrema-direita).

O atual governo espanhol, uma coligação de esquerda do partido socialista espanhol (PSOE) e do Somar, foi viabilizado no parlamento por mais seis partidos nacionalistas e independentistas das Canárias, Catalunha, Galiza e País Basco.

O Somar, através do deputado e dirigente Enrique Santiago, disse hoje entender que Sánchez "esteja devastado" com a perseguição que é alvo a mulher, mas defendeu que "tem uma obrigação com o país", a de parar e resistir ao ataque da direita e da extrema-direita.

Também o Podemos - que abandonou recentemente a plataforma Somar assumindo divergências com a direção e com o próprio Sánchez - manifestou solidariedade com o primeiro-ministro e defendeu que deve continuar no cargo e não desistir por estes motivos.

"Quando uma pessoa como Sánchez chega a este ponto significa que alguma coisa grave está a acontecer", disse a líder do Podemos, Ione Belarra, que defendeu ser necessário travar "a direita golpista" que faz perseguições e ataques pessoais aos adversários, como já aconteceu a dirigentes desta formação.

A Esquerda Republicana da Catalunha (ERC, independentista), através do líder parlamentar, Gabriel Rufián, pediu a Sánchez para não ceder ao "filofascismo" porque seria "um mau exemplo".

O Bloco Nacionalista Galego (BNG), por seu turno, disse que "respeita a decisão de Pedro Sánchez", mas defendeu que a atual legislatura tem de continuar, denunciando a "estratégia de crispação sem escrúpulos morais e éticos" da direita para destruir adversários políticos.

Já o partido independentista basco EH Bildu garantiu que "não vai abrir caminho à direita" mesmo que Sánchez acabe por se demitir e o Partido Nacionalista Basco (PNV) apelou ao primeiro-ministro para não esperar até segunda-feira para se dirigir ao país.

O PNV - em linha com outros partidos - defendeu também mudanças legislativas que evitem que "qualquer denúncia, por frágil que seja, possa dar lugar a uma investigação" judicial.

Quanto ao Juntos pela Catalunha (JxCat), do ex-presidente regional Carles Puigdemont, desafiou Sánchez a submeter-se a uma moção de confiança no parlamento.

Pedro Sánchez disse estar a pensar demitir-se depois de um tribunal de Madrid ter confirmado a abertura de um "inquérito preliminar" envolvendo a mulher, Begoña Gómez, por alegado tráfico de influências e corrupção, na sequência de uma queixa da associação "Mãos Limpas", associada à extrema-direita.

Begoña Gómez vai ser investigada por alegadas ligações a empresas privadas, como a companhia aérea Air Europa, que receberam apoios públicos durante a crise da pandemia ou assinaram contratos com o Estado quando Sánchez era já primeiro-ministro.

A própria associação "Mãos Limpas" disse hoje, num comunicado, que fez a queixa com base em publicações em meios de comunicação digitais e comentários em "tertúlias", admitindo que podem ser alegações falsas.

Também já hoje o Ministério Público se pronunciou pelo arquivamento do caso.

As publicações sobre Begoña Gómez têm sido referidas pelo PP e pelo Vox em declarações públicas e em debates políticos, incluindo no parlamento.

O primeiro-ministro e líder do partido socialista espanhol (PSOE) disse que a mulher e ele próprio estão há meses a ser vítimas "de uma operação de assédio e destruição" pessoal do PP e do Vox, num "ataque sem precedentes" na democracia espanhola.

Sánchez, à frente do governo espanhol desde 2018, acusou PP e Vox de não aceitarem os resultados das últimas eleições e de terem percebido que "o ataque político não seria suficiente", pelo que passaram para o ataque pessoal e, sobretudo, à sua mulher, no que considerou ter sido o cruzar de linhas inaceitáveis.

PP e Vox acusaram-no de estar a vitimizar-se e a fazer "um espetáculo" que envergonha Espanha internacionalmente para desviar as atenções das suspeitas de corrupção.

Leia Também: Líder da oposição em Espanha acusa Sánchez de envergonhar o país

Recomendados para si

;
Campo obrigatório