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EUA destacam mortes de civis em Gaza em relatório de violações de direitos

Os Estados Unidos destacaram a morte de dezenas de milhares de palestinianos causada pela ofensiva israelita em Gaza na listagem de violação dos direitos humanos no mundo, hoje publicada pelo Departamento de Estado, que confirmou uma investigação aos abusos.

EUA destacam mortes de civis em Gaza em relatório de violações de direitos
Notícias ao Minuto

21:22 - 22/04/24 por Lusa

Mundo Israel/Palestina

O relatório anual, relativo a 2023, assinala ainda "crimes contra a humanidade" cometidos pelo Exército Russo no seu segundo ano de invasão da Ucrânia, critica a lei anti-LGTBI (sigla para lésbicas, gays, bissexuais, transexuais ou intersexuais) do Uganda e aponta a existência de "prisioneiros políticos" em Cuba e Nicarágua.

Este exaustivo relatório elaborado desde 1977 pelo Departamento de Estado serve de guia ao Congresso norte-americano na determinação da ajuda externa concedida a cada país.

O relatório inclui "o brutal ataque terrorista" do grupo islamita palestiniano Hamas perpetrado em 07 de outubro contra Israel, no qual 1.200 pessoas morreram e outras 230 foram sequestradas.

Considera também que Israel está a "exercer o seu direito à autodefesa" na ofensiva sobre Gaza, mas sublinha que o Governo de Benjamin Netanyahu "deve conduzir as suas operações militares de acordo com o direito internacional e tomar todas as precauções possíveis para proteger os civis". 

"Continuamos a manifestar a nossa crescente preocupação com as mortes e ferimentos de dezenas de milhares de civis palestinianos em Gaza, incluindo mulheres, crianças e pessoas com deficiência", diz o relatório.

O secretário de Estado, Antony Blinken, confirmou hoje que o seu departamento tem uma investigação "em curso" sobre alegadas violações dos direitos humanos por parte de Israel e negou ter dois pesos e duas medidas na hora de investigar o seu aliado.

"Estamos a analisar relatos de incidentes que chegaram ao nosso conhecimento e temos os nossos procedimentos, especialmente se houver armas dos Estados Unidos envolvidas", disse, na conferência de imprensa de apresentação do relatório.

"Quando tivermos recolhido os factos e pudermos fazer a análise, daremos a conhecer as nossas conclusões", assegurou Blinken, negando uma dualidade de critérios quando se trata de investigar um aliado como Israel e prometendo que "o mesmo padrão se aplica a todos e que isso não muda se o país em questão for um adversário ou um amigo."

Os Estados Unidos acusam ainda o Hamas de usar civis como "escudos humanos" e condenam os ataques de colonos israelitas radicais contra os palestinianos na Cisjordânia ocupada.

No relatório, a administração de Joe Biden voltou a atacar a Rússia pelo seu "desrespeito pelos direitos humanos" na guerra na Ucrânia, onde documentou algumas violações "equivalentes a crimes contra a humanidade".

O levantamento alega que dezenas de milhares de crianças ucranianas foram deportadas para a Rússia, em muitos casos separadas das suas famílias e forçadas a adotar cidadania e nomes russos.

Da mesma forma, na Rússia, as autoridades estão a apresentar "acusações criminais espúrias" contra centenas de russos que se opõem à guerra na Ucrânia.

O Departamento de Estado incluiu o Sudão entre os países que geram maior preocupação, devido ao conflito entre o Exército Sudanês e o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (FAR), que levou a "assassínios em massa".

Washington determinou em dezembro passado que ambos os lados cometeram crimes de guerra e que os paramilitares são responsáveis por crimes contra a humanidade e limpeza étnica.

O relatório critica ainda as autoridades ugandesas por promulgarem uma "lei draconiana" contra a população LGBTI, que inclui penas de morte nos casos mais extremos.

A China voltou a ser nomeada por "graves abusos dos direitos humanos", entre os quais o "genocídio" na província de Xinjiang contra a minoria uigur.

Também aponta para as "violações desproporcionais dos direitos humanos" sofridas pelas mulheres no Irão, bem como a perseguição de dissidentes no estrangeiro por parte de Teerão.

O relatório documenta que os talibãs promoveram mais de 50 decretos no Afeganistão que "eliminam as mulheres da vida pública" e que a junta militar que controla Myanmar (antiga Birmânia) matou mais de 4.000 pessoas.

No que diz respeito à América Latina, Washington afirmam que mais de 1.000 presos políticos estão arbitrariamente detidos e sujeitos a maus-tratos em Cuba, enquanto os seus familiares são alvo de ameaças.

Também está documentado que o Presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, fechou mais de 300 organizações da sociedade civil no ano passado, retirou a cidadania de 300 pessoas e manteve mais de 100 presos políticos "em condições atrozes".

O prefácio do relatório felicita o México pelos progressos na implementação da sua reforma laboral, que, segundo Washington, está a permitir aos trabalhadores superar "obstáculos" para melhorar as suas condições.

Entre outros aspetos encorajadores, destacam-se a melhoria da liberdade de expressão no Quénia, a defesa da comunidade LGTBI no Japão, Estónia e Eslovénia e as políticas de inclusão educativa para crianças com deficiência na Jordânia. 

Leia Também: Autoridades de Gaza dizem que exumaram 200 corpos de vala comum

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