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Governo francês apresenta plano de choque contra a violência juvenil

O primeiro-ministro francês, Gabriel Attal, apresentou hoje um plano de choque contra o aumento da violência juvenil em França, centrado em medidas mais duras contra a delinquência juvenil e na responsabilização dos pais.

Governo francês apresenta plano de choque contra a violência juvenil
Notícias ao Minuto

14:46 - 18/04/24 por Lusa

Mundo Gabriel Attal

No dia em que assinala o centésimo dia de mandato, o mais jovem chefe de Governo na história recente de França, de 35 anos, deslocou-se à cidade de Viry-Châtillon, a sul de Paris, onde no início do mês um rapaz de 15 anos foi espancado até à morte por um grupo de adolescentes, para apresentar um plano de "oito semanas" que visa "restabelecer a autoridade" e concluir o "trabalho coletivo" de consulta solicitado pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, sobre a violência juvenil.

"A cultura de desculpa acabou", disse Gabriel Attal, propondo um sistema de convocação imediata dos jovens de 16 anos para "responderem imediatamente pelos seus atos graves", num contexto marcado por ações desafiadoras cada vez mais frequentes dos jovens franceses contra a autoridade dos professores e do Estado.

O plano apresentado por Attal incide também em medidas de cariz mais simbólico, como obrigar os alunos a levantarem-se quando o professor entra na sala de aula ou incluir os atos de indisciplina nos registos escolares. Obrigar todos os alunos do ensino médio a estarem na escola durante todo o horário letivo, das "8 horas e 18 horas, começando pelos bairros prioritários e redes educacionais prioritárias", é outra das medidas previstas.

Nas mesmas declarações, o primeiro-ministro francês considerou também que um maior número de jovens de bairros radicalizados deveria ser enviado para internatos para os afastar da delinquência e que os pais deveriam ser envolvidos nas ações dos seus filhos.

A este respeito, Attal abriu a porta a "sanções" contra os pais "em caso de afastamento dos filhos, em caso de manifesta falta de constância, de não envolvimento dos pais na educação dos filhos".

O primeiro-ministro garantiu que vai tentar regulamentar a utilização de ecrãs de dispositivos eletrónicos e digitais nos centros educativos, o que estenderá às redes sociais, e disse que vai propor a introdução na lei de uma "maioridade digital" fixada nos 15 anos.

Gabriel Attal denunciou ainda o facto de, em alguns bairros do país, os jovens estarem sujeitos à influência de ideologias radicais de origem religiosa ou à influência do tráfico de droga e prometeu lutar contra ambas.

"Não permitiremos que uma ideologia religiosa se oponha à lei em certos bairros", afirmou o político, acrescentando: "Não toleraremos que as raparigas não sejam livres de andar sem véu se o desejarem".

Attal anunciou também hoje um endurecimento das operações antidroga que a polícia francesa leva a cabo há várias semanas em certos setores particularmente afetados e que, segundo o governante, levaram à detenção de 8.500 pessoas e à apreensão de 13,5 milhões de euros e 3,7 toneladas de canábis.

Na quarta-feira, o Presidente francês afirmou que o primeiro-ministro lançaria hoje um "ciclo de consultas" com "todas as partes interessadas" para encontrar soluções para o "surgimento da ultraviolência", especialmente entre os jovens, depois de vários acontecimentos trágicos envolvendo menores.

A apresentação deste plano surge em plena contagem decrescente para as eleições europeias, que ocorrem entre 06 e 09 de junho, em que o partido de extrema-direita União Nacional (RN, sigla em francês), atualmente liderado por Jordan Bardella, está à frente nas sondagens com um discurso de reforço da segurança e de luta contra a imigração.

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