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"O mundo está a esquecer-se do povo do Sudão"

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou hoje que o mundo tem-se concentrado na escalada das tensões no Médio Oriente e esquecido do povo sudanês, defendendo uma solução política para travar o "horror" no país africano.

"O mundo está a esquecer-se do povo do Sudão"
Notícias ao Minuto

17:41 - 15/04/24 por Lusa

Mundo Sudão

De acordo com o líder das Nações Unidas, por mais preocupantes que sejam os desenvolvimentos no Médio Oriente, "outras emergências dramáticas de vida ou morte estão a ser empurradas para as sombras".

"O mundo está a esquecer-se do povo do Sudão", sublinhou Guterres, assinalando um ano de guerra no país, que eclodiu em 15 de abril de 2023 na sequência de tensões sobre a reforma do exército e a integração de paramilitares nas forças armadas.  

O ex-primeiro-ministro português admitiu tratar-se de mais do que um conflito entre duas partes: "É uma guerra travada contra o povo sudanês".

"É uma guerra contra os muitos milhares de civis que foram mortos e dezenas de milhares de mutilados para o resto da vida. É uma guerra contra os 18 milhões de pessoas que enfrentam fome aguda (...), contra aldeias, casas, hospitais, escolas e sistemas vitais que foram reduzidos a escombros. E é uma guerra contra os direitos humanos e o direito humanitário internacional", frisou.

Nesse sentido, Guterres reforçou que ataques indiscriminados que matam, ferem e aterrorizam civis podem constituir crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Além disso, o secretário-geral observou que o impacto do conflito está a espalhar-se através das fronteiras, com mais de oito milhões de pessoas fugidas das suas casas em busca de segurança, sendo 1,8 milhões deslocaram-se para países vizinhos.

Os últimos relatos sobre a escalada das hostilidades em El Fasher -- a capital do norte de Darfur -- são um novo motivo de profundo alarme, avaliou, alertando que qualquer ataque a El Fasher seria devastador para os civis e poderia levar a um conflito intercomunitário total no Darfur.

Também prejudicaria as operações de ajuda numa área já à beira da fome, uma vez que El Fasher sempre foi um centro humanitário crítico da ONU.

Apesar das graves dificuldades que o povo sudanês enfrenta, Guterres lamentou que o Plano de Resposta Humanitária para o Sudão, no valor de 2,54 mil milhões de euros, foi financiado apenas em seis por cento. 

Já o Plano Regional de Resposta aos Refugiados para a Crise do Sudão, no valor de 1,3 mil milhões de euros, apenas sete por cento.

"O povo sudanês precisa desesperadamente do apoio e da generosidade da comunidade global para ajudá-lo a superar este pesadelo", apelou.

"Mas o povo sudanês precisa de mais do que apoio humanitário. Precisa de um fim do derrame de sangue. Precisa de paz. A única saída para este horror é uma solução política", defendeu, exortando ainda a um impulso global concertado para um cessar-fogo no Sudão, seguido de um processo de paz abrangente.

O líder das Nações Unidas concluiu este seu pronunciamento aos jornalistas, na sede da ONU em Nova Iorque, assegurando que não cederá nos apelos a todas as partes para que "silenciem as armas e satisfaçam as aspirações do povo sudanês por um futuro pacífico e seguro".

A guerra no Sudão eclodiu há precisamente um ano, devido a tensões sobre a reforma do exército e a integração de paramilitares nas forças armadas, no meio de um processo político para colocar o país de novo no caminho da democracia após o golpe de 2021.

A guerra deslocou 8,5 milhões de pessoas, matou cerca de 15.000 civis e colocou 18 milhões de pessoas à beira da fome, enquanto outros 25 milhões dependem da ajuda humanitária, segundo dados das Nações Unida.

[Notícia atualizada às 18h05]

Leia Também: Sudão. Líder do grupo paramilitar RSF diz-se empenhado em cessar-fogo

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