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Mako foi a única mulher na Yakuza, máfia japonesa. Eis a sua história

A investigadora Martina Baradel explicou à BBC como é que Nishimura Mako foi a primeira - e única - mulher a entrar na máfia japonesa. Mako participou em negócios ligados à prostituição, envolveu-se em lutas e cortou um mindinho. Quem é esta mulher, que hoje tem dois filhos e saiu da Yakuza?

Mako foi a única mulher na Yakuza, máfia japonesa. Eis a sua história
Notícias ao Minuto

20:17 - 10/04/24 por Teresa Banha

Mundo Japão

Nishimura Mako é a única mulher que entrou na Yakuza, máfia japonesa que é composta por mais de vinte grupos por todo o país – e a sua história foi contada esta semana à BBC por Martina Baradel, investigadora da Universidade de Oxford.

Segundo o que conta à imprensa, nos três séculos de existência da máfia japonesa, apenas Mako completou os rituais para pertencer à organização. "Se houvesse outra, seria conhecida. A polícia tem os registos dos membros da Yakuza. Muitas mulheres apoiaram a máfia de forma informal, mas não há ninguém como ela", explicou Baradel, acrescentando que "está provado que ela é um membro de pleno de pleno direito", dado que existem fotografias suas na cerimónia de 'sakazuki', que simboliza a lealdade e compromisso com a organização.

Não se importou de amputar também o mindinho dos colegasÀ investigadora, Mako, hoje com 57 anos, explicou que foi a sua atração por violência que fez com que  entrasse para o grupo. "Era muito boa a lutar, nunca perdi para um homem", ter-lhe-á contado, explicando que também a sua condição física era incomum, já que pesava 45 quilogramas e media pouco mais de 1,50 metros. Mako explicou que começou a sair com gangues de motociclistas e a ter encontros com outras pessoas, levando-a a integrar, de forma inédita, o grupo.

Apesar da sua posição única no grupo, Mako cometeu erros no seu caminho, que foram 'resolvidos' com o rutal 'yubitsume', que indica que perante um erro, há que assumir a responsabilidade, cortando um mindinho. A investigadora contou que Mako o fez por algo relacionado com drogas perdidas. "E depois também pensou que combinaria bem com as tatuagens, pois são os dois símbolos mais visíveis da estética Yakuza", acrescentou. 

"Além disso, ela afirma que não sente dor e não se importou de amputar também o mindinho dos colegas que não queriam fazê-lo por conta própria", referiu Baradel, contando que a sua mestria neste ritual a fez ficar conhecida como 'Mestre do corte de dedos'.

"Tornou-se ainda mais radical"

A mulher, que é hoje mãe de dois filhos, tentou sair da máfia japonesa quando ficou grávida pela primeira vez, mas enfrentou algumas dificuldades e preconceitos. As tatuagens que tinha sugeriam ligações à máfia e tinha algumas dificuldades em encontrar emprego. "Ficou muito chateada, porque tentava ser mãe e encontrar um emprego e deixar a vida na máfia para trás - mas fechavam-lhe as portas por ela ser diferente. Achava muito injusto, então tornou-se ainda mais radical", explicou.

A investigadora italiana conta que foi aí que Mako fez tatuagens completas até aos dedos e que se 'entregou' de volta à máfia, tendo estado casada também com um membro do grupo, que mais tarde se tornou um dos chefes.

Se Mako foi a exceção... Qual o papel das mulheres na máfia nipónica?

A antiga mafiosa espancava alguns rivais, envolvia-se em tráfico de droga e também em tráfico de mulheres - que eram levadas a prostituir-se. Mas as restantes mulheres, que não são membros oficiais, acabam por fazer outro tipo de 'trabalhos', como por exemplo, de mediação. A esposa de um chefe, por exemplo, acaba por fazer um trabalho de mediação entre as camadas superiores, mais responsáveis, do grupo e as mais jovens.

"A Yakuza opera no entretenimento noturno, na prostituição e nas indústrias do sexo e da pornografia. Nishimura Mako também fez isso: comprou, vendeu e explorou mulheres", explica.

Mas Mako saiu de vez... de uma máfia 'diferente'

A investigadora explicou ainda que Mako acabou por sair da máfia, tendo sido para isso necessária uma 'luz verde' do chefe. "Às vezes é preciso pagar, outras vezes não", apontou. "Há uma variedade de circunstâncias, mas na maioria das vezes você pode-se sair sem muitos problemas", explicou.

Baradel explicou ainda que ao contrário do que acontece com a máfia italiana, cujos membros podem ficar escondidos durante anos, no Japão a polícia tem conhecimento de quem são os seus membros e de onde eles vivem. "É uma máfia, mas não há muitos segredos para contar. A polícia consegue encontrar as pessoas", reforçou.

Para além do mais, estes grupos criminosos "não são ilegais", como em Itália. "No Japão não é ilegal fazer parte de um grupo Yakuza, por isso têm escritórios e são reconhecidos na sociedade", observou.

Leia Também: Chefe da máfia em fuga há quase 20 anos apanhado... pelo Google Maps

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