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ONU pede mais de 400 milhões de dólares para refugiados palestinianos

A Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinianos (UNRWA) lançou hoje um apelo de 414,4 milhões de dólares (382 milhões de euros) para os deslocados na Síria, no Líbano e na Jordânia, dando conta de uma situação precária.

ONU pede mais de 400 milhões de dólares para refugiados palestinianos
Notícias ao Minuto

21:30 - 03/04/24 por Lusa

Mundo Israel/Palestina

Em comunicado, a organização indica que o financiamento será utilizado para manter em funcionamento a assistência alimentar, juntamente com cuidados de saúde, educação e formação técnica e profissional.

A UNRWA refere que terá em breve dificuldades para manter o nível de assistência humanitária, "e esse nível já é mínimo", disse Natalie Boucly, vice-comissária-geral para Programas e Parcerias citada no comunicado, destacando que o papel da agência da ONU, colocado em causa por Israel, "nunca foi tão vital".

"Devemos continuar a apoiar os refugiados palestinianos afetados pela crise síria que já dura 13 anos", disse Natalie Boucly, no lançamento do apelo em Beirute, adiantando que as necessidades desta população foram reforçadas pela guerra na Faixa de Gaza entre Israel e o movimento islamita Hamas desde 07 de outubro.

Para a responsável da agência das Nações Unidas, "embora o horror que se desenrola em Gaza esteja a consumir a maior parte da atenção", as necessidades humanitárias noutras áreas de operações "não devem ser negligenciadas".

Segundo o comunicado, a UNRWA desenvolve uma assistência humanitária de longa data para "mitigar os piores efeitos do conflito na Síria sobre os refugiados palestinianos", bem como para fazer face à "deterioração das condições socioeconómicas de centenas de milhares de pessoas que vivem agora no Líbano e na Jordânia".

A organização menciona programas de ajuda e de obras para refugiados palestinianos nestes países, na Faixa de Gaza e na Cisjordânia desde há mais de 75 anos, mas que dependem principalmente de doações para cumprir o seu orçamento de mais de 800 milhões de dólares (738 milhões de euros).

"Apesar das necessidades crescentes, o financiamento para apelos de emergência para a Síria, Líbano e Jordânia diminuiu nos últimos anos, com uma queda dramática para apenas 27% de cobertura em 2023", assinala a UNRWA, dando conta de uma situação geral de financiamento precária, "especialmente tendo em conta os desafios enfrentados desde o início do conflito em Gaza".

Em janeiro, o comissário-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, alertou que os seus programas "estavam em perigo depois de 16 países terem suspendido cerca de 450 milhões de dólares em financiamento", na sequência das alegações de Israel de que vários funcionários da agência estiveram envolvidos nos ataques de 07 de outubro liderados pelo Hamas ao seu território.

O comunicado recorda que, na sequência destas denúncias, a ONU nomeou um painel de revisão independente para realizar uma avaliação das operações da UNRWA, "enquanto o seu mais alto órgão de investigação, o Gabinete de Serviços de Supervisão Interna, lançou uma investigação sobre as alegações", e alguns países foram retomando as suas doações.

Segundo a UNRWA, o painel de revisão concluiu em março que esta agência tem "um número significativo de mecanismos e procedimentos em vigor para garantir a neutralidade, embora áreas críticas ainda precisem de ser abordadas", sendo esperado um relatório completo ainda este mês.

Mais de 75% da população de Gaza, ou cerca de 1,7 milhões de pessoas, foi deslocada desde o início da guerra na Faixa de Gaza, de acordo com a UNRWA, que lamenta a ausência de qualquer "mudança significativa no volume de fornecimentos humanitários" no território.

Na Faixa de Gaza, desde as operações em grande escala de Israel no território em retaliação aos ataques do Hamas, já morreram mais de 32 mil pessoas, na maioria civis, segundo números das autoridades locais controladas pelo Hamas.

As organizações humanitárias no terreno alertam para uma grave crise humanitária que atinge a totalidade da população no acesso a bens essenciais como comida, água, cuidados de saúde e energia, à medida que Israel prossegue a sua ofensiva no território sitiado.

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