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Das filhas à esposa, Ahmad perdeu 103 familiares. "Quem me chamará pai?"

Ahmad al-Ghuferi conta à BBC que os seus sonhos foram destruídos em Gaza desde que a guerra com Israel começou. Mais de dois meses e meio depois de a sua família mais próxima ter morrido, continuam a ser retirados corpos dos escombros.

Das filhas à esposa, Ahmad perdeu 103 familiares. "Quem me chamará pai?"
Notícias ao Minuto

22:49 - 26/02/24 por Notícias ao Minuto

Mundo Israel/Palestina

Em menos de cinco meses de guerra no Médio oriente, Ahmad al-Ghuferi perdeu mais de uma centenas de familiares, entre os quais a esposa e a filha, que viviam em Gaza.

A história deste homem, que escapou – até agora – da morte porque quando a guerra começou, a 7 de outubro do ano passado, estava a trabalhar numa construção em Telavive, é contada pela BBC.  Ahmad não conseguiu voltar a Gaza devido ao conflito.

Em conversa com a publicação britânica, o homem conta que a última vez que falou com a mulher foi a 8 de dezembro, por chamada telefónica.

“Ela sabia que ia morrer”, recorda, acrescentando: “Ela disse-me para a perdoar por alguma coisa de mal que ela me pudesse ter feito. Disse-lhe que não havia necessidade de me estar a dizer aquilo. E foi a única chamada que fizemos”.

A mulher e as filhas – Tala, Lana e Najla – estavam na casa de um tio quando uma bomba caiu no local, nessa mesma noite em que desligaram o telefone pela última vez. Ao longo do tempo, Ahmad foi perdendo também quatro dos seus irmãos, assim como dezenas de tias e tios. No total, ‘viu’ morrer 103 familiares.

Ahmad relembra ainda à BBC que a sua filha mais nova, Najla, teria feito dois anos a semana passada. “Sinto que ainda estou num sonho. Ainda não consigo acreditar no que nos aconteceu”, apontou.

O homem conta ainda que apagou muitas fotografias das filhas do telemóvel e computador, de forma a não ser apanhado numa ‘emboscada’.

Quanto ao que aconteceu à sua família, o homem soube por alguns testemunhos de quem sobreviveu, quer da família ou de vizinhos. Segundo um dos familiares que sobreviveu, quando o ataque do dia 8 começou, houve quem fugisse do abrigo onde estavam e quem ficasse – e quem ficu acabou por morrer, como a sua esposa e filhas. “Eles atingiam uma casa a cada dez minutos”, explica.

Mais de dois meses e meio depois do ataque que vitimou a sua família mais próxima, há ainda corpos nos escombros de onde o ataque aconteceu e a família tem tentado amealhar algum dinheiro para contratar alguém que os possa retirar de lá.

“Hoje foram retirados quatro corpos”, explicou Ahmad, notando que alguns corpos foram retirados aos bocados. “Estiveram debaixo dos escombros 75 dias”, notou.

Quanto a um eventual regresso, Ahmad não tem a certeza de que o vai fazer – e questiona: “Os meus sonhos foram destruídos em Gaza. Quem é que me vai chamar pai? Quem me vai chamar querido? A minha esposa costumava dizer-me que eu era toda a sua vida. Quem me vai dizer isso agora?”

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