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"Netanyahu esqueceu-se de ser humano e trazer reféns de volta"

Uma ex-refém falou com a NBC News e contou alguns episódios do seu cativeiro com o Hamas, onde o seu marido continuou. Para além de falar sobre a despedida, Aviva Siegel confessa que está muito preocupada com as mulheres, "que podem ficar grávidas".

"Netanyahu esqueceu-se de ser humano e trazer reféns de volta"
Notícias ao Minuto

22:40 - 23/02/24 por Notícias ao Minuto

Mundo Israel/Palestina

Uma ex-refém do Hamas acusou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de se ter esquecido das pessoas que continuam em cativeiro, controladas pelo grupo islamita.

Aviva Siegel defendeu, em entrevista à NBC News, que o responsável israelita está a dar prioridade à sua sobrevivência política ao invés de se concentrar em esforços para trazer de volta os reféns que ainda existem – incluindo o seu marido, que tem nacionalidade israelita e norte-americana.

“Acho que Netanyahu se esqueceu do Keith [marido] e também de ser humano e de trazer as pessoas de volta”, referiu a mulher, de 62 anos que passou 51 dias em cativeiro.

Mas a mulher, que vivia a quase cinco quilómetros da fronteira com Gaza antes de ser levada no ataque de 7 de outubro, em Israel, não está apenas preocupada com o marido – mas sim com as 130 pessoas que continuam sob o controlo do Hamas.

A mulher refere que, em particular, as 19 mulheres que estão em cativeiro, correm muito perigo, nomeadamente, o de “ficarem grávidas”. - e contou um episódio que a marcou enquanto era refém.

“Uma das raparigas foi à casa de banho”, começou por explicar, acrescentando que quando esta voltou, conseguiu ver que “alguma coisa se tinha passado com ela”. Ao chegar perto dela, abraçou-a . “Mesmo sabendo que não era permitido”, destacou.

“A rapariga olhou para mim e disse: ‘Ele tocou-me’”, recordou, explicando que a voz da jovem falhava. “Esse é um momento que eu nunca vou esquecer, porque era algo que achávamos que nunca ia acontecer. Aconteceu, e nós ficámos com medo de que voltasse a acontecer”, apontou.

Segundo aponta a publicação norte-americana, apesar de pouco ser conhecido sobre o tratamento dos reféns, existem testemunhos de que dezenas de mulheres terão sido violadas ou mutiladas pelo Hamas no âmbito desta guerra.

A mulher recordou ainda um momento em que o marido, de 64 anos, foi “humilhado” pelo grupo islamita, quando o levaram para o banho e o forçaram a depilar-se por completo. “Foi tão humilhado que, quando saiu, disse que não sabia o que fazer com ele próprio, porque se sentia como ninguém, como nada”, afirmou.

A ex-refém falou ainda do momento em que soube que se iria separar do marido, quando lhe disseram que ela ia ser libertada, mas que o marido ia ficar. Segundo o que contou, Keith Siegel insistiu para que ela fosse e também terá confessado que estava “assustado” em dizer ao raptores que também tinha nacionalidade norte-americana. “Inclinei-me, abracei-o e disse-lhe: ‘Vais ser forte por mim’”, terá sido a despedida entre o casal.

Apesar da separação, a mulher continua acreditar que o marido está vivo, mas sublinha: “Mas sei o que se pode passar lá e estou muito preocupada com ele”.

Leia Também: Hamas afirma que plano pós-guerra de Netanyahu "nunca será bem-sucedido"

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