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'Salas de chuto' com distribuição desigual podem agravar risco de consumo

Esta é uma das conclusões de um relatório conjunto do Observatório das Drogas e da Toxicodependência (EMCDDA, na sigla em inglês) e da Correlação - Rede Europeia de Redução de Danos (C-EHRN).

'Salas de chuto' com distribuição desigual podem agravar risco de consumo
Notícias ao Minuto

17:12 - 20/12/23 por Lusa

Mundo Europa

A distribuição geográfica das salas de consumo assistido de drogas - um equipamento que reduz os comportamento de risco - é desigual na Europa, com assimetrias regionais dentro dos Estados, incluindo em Portugal, segundo um estudo.

Esta é uma das conclusões de um relatório conjunto do Observatório das Drogas e da Toxicodependência (EMCDDA, na sigla em inglês) e da Correlação - Rede Europeia de Redução de Danos (C-EHRN).

O relatório dá uma visão geral sobre as salas de consumo de drogas na Europa, também conhecidas como "salas de chuto", no qual se concluiu que estes equipamentos "podem contribuir para diminuir os comportamentos de risco com as injeções e reduzir a transmissão de infeções virais entre pessoas que injetam drogas".

Segundo o relatório, que assinala uma distribuição geográfica desigual, em 2022, existiam mais de 100 salas, com serviços em Portugal, na Bélgica, Dinamarca, França, Alemanha, Grécia, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega e Espanha.

O documento refere ainda a existência destes locais na Suíça, Austrália, Canadá, México e EUA.

As salas de consumo assistido, como são designadas em Portugal, visam prevenir mortes por overdose relacionadas com drogas, reduzir os riscos agudos de transmissão de doenças e ligar as pessoas que consomem drogas ao tratamento da dependência e a outros serviços sociais e de saúde.

Têm igualmente como objetivo minimizar o incómodo público visível do consumo ilegal ao ar livre, como acontece em alguns locais de Portugal, designadamente na capital, junto ao antigo Casal Ventoso.

Estas instalações podem também ter um papel a desempenhar na identificação precoce de tendências novas e emergentes entre as populações de alto risco que utilizam os seus serviços, explica o documento.

Na Europa, a injeção de heroína diminuiu nos últimos anos, sendo substituída pelo uso indevido de opiáceos e estimulantes sintéticos em alguns países.

Ao longo dos anos, muitos serviços antidrogas, incluindo estas salas, adaptaram-se às necessidades dos utentes locais e às tendências do mercado da droga, acrescenta o relatório da agência europeia da droga, sediada em Lisboa.

Estes serviços incluem a prestação de espaços para fumar, bem como para injetar e permitir o consumo de uma gama mais ampla de substâncias dentro das instalações.

O estudo cita ainda um grupo de peritos que concluiu que as salas podem contribuir para diminuir os comportamentos de risco com as injeções e reduzir a transmissão de infeções virais entre pessoas que injetam drogas.

Entre outras medidas para reduzir os casos de overdose fatais e não fatais, o Plano de Ação da UE em matéria de Droga 2021-2025 apela à introdução, manutenção ou reforço destas salas.

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