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Conselho de Segurança reúne-se sexta-feira após apelo inédito de Guterres

O Conselho de Segurança da ONU irá reunir-se na sexta-feira na sequência do apelo inédito feito pelo secretário-geral da organização, António Guterres, que invocou o artigo 99.º da Carta das Nações Unidas para pedir um cessar-fogo em Gaza.

Conselho de Segurança reúne-se sexta-feira após apelo inédito de Guterres
Notícias ao Minuto

17:27 - 07/12/23 por Lusa

Mundo ONU

A informação foi hoje confirmada pelo Equador, país que preside este mês ao Conselho de Segurança da ONU, indicando que a reunião está agendada para as 10:00 locais (15:00 em Lisboa) e que António Guterres estará presente.

O grupo dos Estados Árabes da ONU trabalhou nos últimos dias numa proposta de resolução para ser levada a votos no Conselho de Segurança da ONU e que apela a um cessar-fogo na guerra entre Israel e o grupo islamita palestiniano Hamas.

O representante da Palestina junto à ONU, Riyad Mansour, manifestou hoje o seu desejo de que a resolução seja aprovada na reunião de sexta-feira.

"A proposta de resolução reflete a urgência do Conselho de Segurança de agir e isso inclui um cessar-fogo humanitário imediato. A resolução foi entregue na noite de quarta-feira a todos os membros do Conselho, para que possam estudá-la e partilhá-la com as capitais dos seus países, e para que partilhem connosco novas ideias que possam ser incorporadas no texto", disse Mansour, numa conferência de imprensa na sede da ONU, em Nova Iorque.

"Esperamos sinceramente que o Conselho de Segurança adote essa resolução e ouça a corajosa posição do secretário-geral da ONU. Todos nós o saudamos por ter dado esse passo, que não havia sido tomado por outro secretário-geral por um longo período de tempo, e que mostra o quão perigosa é a situação na Faixa de Gaza", acrescentou o diplomata, cercado por membros do Grupo Árabe.

Pela primeira vez desde que assumiu a liderança das Nações Unidas, em 2017, António Guterres invocou na quarta-feira o artigo 99.º da Carta das Nações Unidas, o instrumento diplomático mais poderoso à disposição de um secretário-geral da ONU.

O artigo em questão, usado formalmente apenas três vezes (1960, 1979 e 1989) em toda a história da ONU, refere que o secretário-geral "pode chamar a atenção do Conselho para qualquer assunto que, na sua opinião, possa ameaçar a manutenção da paz e segurança no mundo".

Nesse sentido, face à magnitude da perda de vidas humanas em Gaza e em Israel num tão curto espaço de tempo, Guterres enviou uma carta inédita ao Conselho de Segurança da ONU, apelando ao órgão para que "pressione para evitar uma catástrofe humanitária" em Gaza, reiterando os seus apelos por um cessar-fogo que trave "implicações potencialmente irreversíveis" para os palestinianos.

Tal iniciativa resultou em novas críticas do Governo de Israel, que acusou o secretário-geral de "um novo nível de baixeza moral" por pedir um cessar-fogo em Gaza e avaliou o seu mandato como "um perigo para a paz mundial".

"Apelo mais uma vez ao secretário-geral para que se demita imediatamente. A ONU precisa de um secretário-geral que apoie a guerra contra o terrorismo, e não de um secretário-geral que atue de acordo com o guião escrito pelo Hamas", instou o embaixador israelita junto da ONU, Gilad Erdan, na rede social X (antigo Twitter),??? que em outras ocasiões já havia pedido a demissão de Guterres.

Desde que enviou a carta ao Conselho de Segurança, Guterres falou por telefone com os ministros com a tutela dos Negócios Estrangeiros da Jordânia, dos Emirados Árabes Unidos, do Qatar, Egito, dos Estados Unidos da América, da Arábia Saudita e do Reino Unido, segundo apontou hoje o seu porta-voz, Stéphane Dujarric.

Além disso, Dujarric indicou que Guterres tem estado em contacto regular com o Presidente israelita, Isaac Herzog.

Israel tem levado a cabo uma vasta ofensiva terrestre na Faixa de Gaza desde 27 de outubro, após três semanas de intensos bombardeamentos, em resposta ao ataque realizado pelo grupo islamita palestiniano Hamas no sul de Israel em 07 de outubro, que fez mais de 1.200 mortos, na maioria civis, 5.000 feridos e cerca de 240 reféns.

As operações militares israelitas já provocaram mais de 17 mil mortos, 46.000 feridos e cerca de 1,9 milhões de palestinianos deslocados, segundo o balanço mais recente.

Leia Também: Guterres alerta para ligações entre "crime organizado" e terrorismo

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