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Exército israelita pede à ONU para esvaziar armazém no sul de Gaza

O Exército israelita notificou hoje a Organização Mundial da Saúde (OMS) para esvaziar um dos seus armazéns médicos no sul da Faixa de Gaza, no prazo de 24 horas, devido à expansão das operações terrestres de Israel no enclave.

Exército israelita pede à ONU para esvaziar armazém no sul de Gaza
Notícias ao Minuto

23:58 - 04/12/23 por Lusa

Mundo OMS

"Hoje, a OMS recebeu uma notificação das Forças de Defesa de Israel de que deveríamos retirar os nossos equipamentos do nosso armazém médico no sul de Gaza dentro de 24 horas, pois as operações terrestres os tornarão inutilizáveis", adiantou o chefe do gabinete da OMS para o Mediterrâneo Oriental, Ahmed Mandhari, durante uma conferência de imprensa.

Por sua vez, a líder da equipa do sistema de saúde do gabinete da OMS na Cisjordânia, Shannon Barkley, revelou que a equipa da organização conseguiu mudar o armazém para uma nova instalação que "encontrou com grandes dificuldades" na cidade do sul de Rafah, na fronteira com o Egito.

Barkley apontou que a OMS não comunicou diretamente com o Exército israelita "em relação às suas intenções em torno das instalações" da agência da ONU.

Sobre a situação na Faixa de Gaza, Mandhari lembrou que, entre 07 de outubro e 28 de novembro, a OMS registou "um número sem precedentes de ataques contra os cuidados de saúde" em Gaza: um total de 203 ataques contra hospitais, ambulâncias, material médico, bem como de "prisões dos trabalhadores da saúde".

Indicou ainda que em menos de 60 dias o número de hospitais em funcionamento na Faixa foi reduzido de 36 para 18, três dos quais prestam apenas serviços de primeiros socorros e os restantes, serviços parciais.

"Os 12 hospitais que ainda funcionam no sul são agora a espinha dorsal do sistema de saúde", realçou, lembrando que muitos dos centros médicos "tratam entre o dobro e o triplo do número de pacientes" acima das suas capacidades.

Perante o colapso do sistema de saúde e a sobrelotação dos abrigos no sul de Gaza, onde Israel exige a retirada dos palestinianos, a OMS registou um aumento de doenças infecciosas, incluindo infeções respiratórias, sarna, diarreia e "um sinal preocupante de hepatite".

A este respeito, o diretor regional de emergências da OMS, Richard Brennan, alertou que nos abrigos no sul de Gaza, os palestinianos são obrigados a partilhar uma única casa de banho entre 200 pessoas, algo que considerou ser "uma mistura tóxica" e o terreno fértil perfeito para doenças infecciosas.

"A resposta para todos estes problemas é um cessar-fogo", frisou Brennan.

A guerra em curso no Médio Oriente começou em 07 de outubro, após um ataque do braço armado do Hamas, que incluiu o lançamento de milhares de 'rockets' para Israel e a infiltração de cerca de 3.000 combatentes que mataram mais de 1.200 pessoas, na maioria civis, e sequestraram outras 240 em aldeias israelitas próximas da Faixa de Gaza.

Em retaliação, as Forças de Defesa de Israel dirigiram uma implacável ofensiva por ar, terra e mar àquele enclave palestiniano, que enfrenta uma grave crise humanitária perante o colapso de hospitais e a ausência de abrigos, água potável, alimentos, medicamentos e eletricidade.

As autoridades da Faixa de Gaza, controladas pelo movimento islamita palestiniano Hamas desde 2007, aumentaram hoje o número de mortos na ofensiva israelita para quase 15.900, enquanto mais de 250 palestinianos morreram às mãos das forças de Telavive ou em ataques levados a cabo por colonos na Cisjordânia e Jerusalém Oriental desde 07 de outubro.

As partes cessaram as hostilidades durante uma semana no âmbito de uma trégua mediada por Qatar, Egito e Estados Unidos, mas os confrontos regressaram na sexta-feira após falta de entendimento para prorrogar o acordo.

Leia Também: Médicos Sem Fronteiras encerrou duas clínicas em Gaza desde fim da trégua

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