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Esequibo? Pouca afluência de eleitores em Caracas no referendo consultivo

Vários centros eleitorais do centro e leste de Caracas registaram ao longo da manhã de hoje, pouca afluência de eleitores no dia em que a Venezuela realiza um referendo consultivo sobre o Esequibo, território em disputa com a vizinha Guiana.

Esequibo? Pouca afluência de eleitores em Caracas no referendo consultivo
Notícias ao Minuto

16:19 - 03/12/23 por Lusa

Mundo Venezuela

Sem filas de espera, o Colégio La Concepción de Las Palmas [centro-leste], tinha, no entanto, uma dezena de pessoas a verificar as listagens à procura dos seus nomes, entre eles um português e um luso-descendente que queriam expressar nas urnas a sua opinião.

"É evidente que aqui [no centro eleitoral] não vou dizer como responder no referendo, mas achei que com quase 40 anos neste país [Venezuela], deveria participar", disse o comerciante português Manuel Freitas.

Com 55 anos de idade, este comerciante explicou à Lusa que hoje "é um dia especial" porque "os venezuelanos vão expressar a sua posição sobre um território que nos livros escolares" dos seus filhos aparecia no mapa "como Zona em Reclamação".

Por outro lado, o luso-descendente Francisco de Correia, 38 anos, explicou que aos domingos acorda "preguiçoso, sem vontade de fazer nada", mas que foi por café à padaria, passou pelo colégio e como não havia fila decidiu votar.

Na avenida Sans de El Marqués (leste) duas portuguesas caminhavam pelo passeio nas proximidades de um centro eleitoral. Questionadas se iriam votar, uma delas explicou que sim e a outra disse que primeiro ia fazer "uma diligência".

"Não tenho a certeza sobre o conteúdo do laudo de Paris [de 1899], nem do último acordo de Genebra [de 1966], mas a Venezuela tem direito a defender a sua soberania. Não quero uma guerra. Quer a Venezuela quer a Guiana têm de encontrar uma solução pacífica a este diferendo", disse Isabel de Fernandes à Lusa.

Ainda em Caracas, vários centros eleitorais de Chacao, Los Cedros, La Florida, San Bernardino, La Candelária, mostravam pouca afluência de eleitores, alguns deles com fitas amarelas a restringir o acesso local a viaturas.

Os venezuelanos vão hoje às urnas para participar num referendo consultivo sobre o Esequibo, território em disputa com a vizinha Guiana.

As urnas abriram pelas 06:00 horais locais [mais 4 horas em Portugal] e vão encerrar pelas 18:00 horas locais [22:00 horas em Lisboa], nos 365 municípios do país.

Segundo o Conselho Nacional Eleitoral estão ativos mais de 139 mil funcionários as eleitorais, e 380 mil oficiais das Forças Armadas custodiam o processo.

A região de Esequibo, que aparece nos mapas venezuelanos como "zona em reclamação", está sob mediação da ONU desde 1966, quando foi assinado o Acordo de Genebra.

Com uma extensão de 160 mil quilómetros quadrados e rico em minerais, Esequibo está sob administração da Guiana, com base num documento assinado em Paris, em 1899, que estabelece limites territoriais que a Venezuela não aceita.

No referendo consultivo, de cinco perguntas, os venezuelanos devem responder se concordam "rejeitar por todos os meios, em conformidade com a lei, a linha imposta de forma fraudulenta pela decisão arbitral de Paris de 1899".

Também se apoiam o Acordo de Genebra de 1966 "como único instrumento jurídico válido para alcançar uma solução prática e satisfatória" para o resolver o diferendo.

Devem ainda responder se concordam "em opor-se, por todos os meios e em conformidade com a lei, à pretensão da Guiana de dispor unilateralmente de um mar não delimitado, de forma ilegal e em violação do direito internacional".

Caracas quer saber se estão de acordo com a "criação do Estado de Guiana Esequiba e com o desenvolvimento de um plano acelerado para o atendimento integral da população atual e futura desse território", que inclua "a concessão da cidadania venezuelana e de bilhetes de identidade, em conformidade com o Acordo de Genebra e o direito internacional, incorporando assim esse Estado no mapa do território venezuelano".

Leia Também: Venezuela não reconhece competência do TIJ sobre diferendo com a Guiana

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