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Erdogan rejeita que Hamas seja grupo terrorista após apelos de Washington

O presidente turco rejeitou hoje classificar o Hamas como uma organização terrorista após apelos de Washington para Ancara cortar os laços com o movimento islamita, tendo Israel sugerido que a Turquia receba "os terroristas" do grupo palestiniano.

Erdogan rejeita que Hamas seja grupo terrorista após apelos de Washington
Notícias ao Minuto

20:19 - 02/12/23 por Lusa

Mundo Israel/Palestina

"Em primeiro lugar, o Hamas é uma realidade na Palestina, é um partido político, que concorreu às eleições como partido político e venceu", afirmou Recep Tayyip Erdogan num comunicado, acrescentando que "excluir o Hamas, erradicar o Hamas, não é um cenário realista".

O presidente turco reiterou a sua posição de que o conflito no Médio Oriente deve ser resolvido através do estabelecimento de um Estado palestiniano ao lado de Israel, o que levaria ao desaparecimento da ameaça da Faixa de Gaza, enclave controlado desde 2007 pelo Hamas.

"Desenvolvemos e concebemos a nossa política externa em Ancara exclusivamente com base nos interesses da Turquia e nas expectativas do nosso povo", prosseguiu o líder turco, que disse estar certo de que os interlocutores de Ancara reconhecem "os esforços constantes e equilibrados da política externa da Turquia em crises e conflitos humanitários".

O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Eli Cohen, respondeu rapidamente às palavras de Erdogan, através da rede X (antigo Twitter), dizendo que o seu país "libertará Gaza do Hamas, para a segurança de Israel e para criar um futuro melhor para os habitantes da região".

"A organização terrorista Hamas-ISIS não existirá em Gaza no dia seguinte", escreveu Cohen, que utilizou uma fórmula já comum em Israel para expressar uma alegada proximidade entre a milícia palestiniana e o Estado Islâmico.

"A Presidência da Turquia pode muito bem acolher no seu país os terroristas do Hamas que não são eliminados e que fogem de Gaza", frisou ainda o ministro israelita, num tom provocatório dirigido ao líder turco.

Durante uma visita à Turquia na semana passada, o subsecretário do Tesouro para o Terrorismo e Informações Financeiras dos Estados Unidos, Brian Nelson, expressou uma profunda preocupação por parte de Washington face a potenciais laços de Ancara com o Hamas.

Os Estados Unidos, disse na altura o representante, não detetaram fluxos financeiros para o Hamas através da Turquia desde o início da guerra em curso entre Israel e o grupo islamita palestiniano.

No entanto, Brian Nelson sublinhou na mesma ocasião que Ancara ajudou o Hamas a aceder a financiamento no passado e apelou à Turquia para rejeitar potenciais futuras transferências de fundos.

Fervoroso defensor da causa palestiniana, o presidente turco assumiu a causa do Hamas à medida que aumentava o número de vítimas na Faixa de Gaza com a ofensiva israelita no território desde 07 de outubro.

O chefe de Estado turco descreveu várias vezes Israel como um "Estado terrorista", acreditando que o Hamas era um "grupo de libertadores que protegem a sua terra".

Erdogan, que descreveu o atual primeiro-ministro israelita como "carniceiro de Gaza", ameaçou avançar com uma ação legal internacional contra Benjamin Netanyahu.

Israel retirou todos os seus diplomatas da Turquia no final de outubro, após Erdogan ter acusado Telavive de cometer "crimes de guerra".

A Turquia é um aliado histórico de Israel e, embora as relações se tenham deteriorado desde que Erdogan chegou ao poder em 2002, com dois períodos de rutura na última década, os dois países restabeleceram relações diplomáticas plenas no ano passado, com visitas presidenciais e planos de cooperação estreita.

A guerra em curso começou em 07 de outubro, após um ataque do braço armado do movimento islamita palestiniano Hamas, que incluiu o lançamento de milhares de 'rockets' para Israel e a infiltração de cerca de 3.000 combatentes que mataram mais de 1.200 pessoas, na maioria civis, e sequestraram outras 240 em aldeias israelitas próximas da Faixa de Gaza.

Em retaliação, as Forças de Defesa de Israel dirigiram uma implacável ofensiva por ar, terra e mar àquele enclave palestiniano, fazendo mais de 15.000 mortos, deixando cerca de 6.000 pessoas sepultadas sob os escombros e 1,7 milhões de deslocados, que enfrentam uma grave crise humanitária, perante o colapso de hospitais e a ausência de abrigo, água potável, alimentos, medicamentos e eletricidade.

As partes cessaram as hostilidades durante uma semana no âmbito de uma trégua mediada por Qatar, Egito e Estados Unidos, mas os confrontos regressaram na sexta-feira após falta de entendimento para prorrogar o acordo.

Durante a pausa nos combates, 105 reféns do Hamas foram libertados na Faixa de Gaza, incluindo 81 israelitas e 24 estrangeiros, enquanto Israel entregou 240 prisioneiros palestinianos, todos mulheres e menores, e foi permitida a entrada de ajuda humanitária no território.

Leia Também: "Netanyahu ficará na história como o carniceiro de Gaza", diz Erdogan

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