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Henry Kissinger cumpre centenário recordado por legado de diplomacia

O ex-diplomata e Prémio Nobel da Paz norte-americano Henry Kissinger comemora 100 anos no sábado, sendo recordado como expoente da política externa pragmática dos EUA durante a Guerra Fria.

Henry Kissinger cumpre centenário recordado por legado de diplomacia
Notícias ao Minuto

15:06 - 26/05/23 por Lusa

Mundo EUA

Durante décadas o homem que foi conselheiro de Segurança Nacional e secretário de Estado dos ex-presidentes Richard Nixon (1969-1974) e Gerald Ford (1974-1977) deixou um profundo lastro na diplomacia moderna, para grande parte dos historiadores que já se dedicam a compreender o legado pleno de sucessos, derrotas e contradições do homem que se vai tornar centenário.

Heinz Alfred Kissinger nasceu em 27 de maio de 1923 em Furth (Alemanha) no seio de uma família judia que emigrou para Nova Iorque para fugir do regime nazi, quando o futuro diplomata ainda era adolescente.

Com um forte sotaque alemão ao falar inglês, o depois licenciado pela Universidade de Harvard sempre negou que a sua infância traumática o tenha marcado para o resto da vida, mas muitos discordam.

Documentos oficiais compilados por organizações não-governamentais, como o National Security Archive da Universidade de Washington, tornam claro o papel de Kissinger em campanhas secretas de bombardeamento no Camboja, o seu envolvimento na espionagem ilegal do então Presidente Richard Nixon e a sua cumplicidade no derrube do Governo do socialista Salvador Allende no Chile.

Durante o seu percurso como arquiteto da política externa dos EUA entre 1969 e 1977 - como secretário de Estado ou como conselheiro de Segurança Nacional - Kissinger incorporou como poucos diplomatas norte-americanos o espírito da 'realpolitik', um modelo de políticas pragmáticas de relacionamento internacional.

Hoje, quer se trate da guerra na Ucrânia ou da inteligência artificial, Kissinger continua a dar as suas opiniões com lucidez, ou porque muitos a pedem, porque adora os holofotes e talvez também para limpar o seu controverso legado.

Se há um exemplo ilustrativo da sua herança de diplomata pragmático, é o memorando escrito por Kissinger em 05 de novembro de 1970 sobre o Chile, onde no mesmo texto reconhece sem sombra de dúvida a legitimidade democrática do governo de Allende, acaba por recomendar ao Presidente Nixon que "decida opor-se a Allende".

Os defensores de Kissinger argumentam que as lições do ex-secretário de Estado nas relações entre as grandes potências ainda são totalmente válidas e destacam o sucesso do seu modelo de negociações com a União Soviética, que atingiram a máxima expressão com a assinatura em 1975 de um tratado acordado por 35 países do bloco ocidental e comunista em várias áreas, dois anos depois de ter recebido o Prémio Nobel da Paz.

Leia Também: Revolução em Portugal? "Não é justo culpar soviéticos", dizia Kissinger

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