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Sindicatos, 'coletes amarelos' e jovens unidos em Paris contra Macron

Sindicatos, 'coletes amarelos' e jovens protagonizaram juntos em Paris o décimo dia de mobilização contra a reforma do sistema de pensões, mostrando determinação face a um dispositivo policial reforçado.

Sindicatos, 'coletes amarelos' e jovens unidos em Paris contra Macron
Notícias ao Minuto

17:22 - 28/03/23 por Lusa

Mundo Paris

"Há tanto tempo que queríamos que as pessoas despertassem para as nossas causas, mas foi difícil chegar à sua consciência. Agora estão na rua contra esta reforma e eu também estou cá por isto, mas estas não são as nossas únicas reivindicações. A França vai mal, é preciso salva-la", afirmou Marie, vestida de colete refletor amarelo e vinda de Orleães, em declarações à Agência Lusa.

Há quatro anos, Marie começou a sair à rua com o movimento dos 'colete amarelos', que durou cerca de um ano, com manifestações semanais nas principais cidades em França em protesto contra o governo.

Nessa altura, os sindicatos mantiveram-se longe deste movimento espontâneo.

"Estamos a assistir a um movimento inédito, temos os coletes amarelos que são agora aliados dos sindicatos, cada vez mais jovens, talvez até os patrões venham para o nosso lado, porque eles não querem empregar ninguém com mais de 55 anos. Após a covid, o que sabemos é que este é o ambiente geral na Europa, sabemos que não estamos sozinhos", declarou Jean-François, trabalhador metalúrgico, que mencionou diferentes protestos recentes em Espanha, Portugal, Alemanha ou Reino Unido.

Jean-François integra a CFDT, maior central sindical em França, que esta manhã propôs ao executivo e a Emmanuel Macron uma mediação de forma a encontrar uma saída para o clima social tenso que se vive no país. No entanto, o Governo disse não precisar de qualquer mediação, já que a "porta está sempre aberta". 

Quanto à retirada da reforma, a maior reivindicação de quem veio até à Praça da República, não há, por enquanto, qualquer sinal de abertura deEmmanuel Macron, nem da primeira-ministra, Elisabeth Borne.

Tendo em conta esta realidade, Evan, de 17 anos esteve hoje no cortejo parisiense e envergava um cartaz "Metro, Trabalho e Sepultura", numa brincadeira com a expressão "metro, boulot, dodo", ou seja, metro, trabalho e dormir, que caracteriza o quotidiano de grande parte dos franceses nas grandes cidades.

"Viemos para que o Governo nos oiça. Por enquanto, parece que não nos ouvem e isso é um problema. Há muitos jovens que ainda não estão convencidos de que é preciso manifestar-se ou que não estão preocupados, mas isto afeta-nos a todos! O que deu muita vontade manifestar foi a utilização do 49.3 porque a última palavra numa democracia deve ser do povo", declarou, referindo-se à aprovação forçada da reforma sem passar pela Assembleia Nacional utilizando um artigo da Constituição francesa.

Evan e os amigos tentaram bloquear o seu liceu, situado nos arredores de Paris, mas os jovens não tiveram apoio suficiente por parte dos colegas, e optaram por organizar uma manifestação, de qualquer forma.

"Não tivemos pessoas suficientes para bloquear o liceu, porque as pessoas dizem que nós somos jovens e que este não é um problema nosso, mas é. Nós temos como exemplo os nossos professores que se manifestam e queremos apoiá-los", admitiu.

Após algumas manifestações que degeneraram em violência nos últimos dias, provocando ferimentos graves em alguns manifestantes e polícias, o ministro do Interior, Gerald Darmanin, anunciou o reforça da segurança, com o cortejo em Paris a ser acompanhado por 5.500 agentes da autoridade.

A entrada no cortejo é sujeita a pelo menos duas revistas e material como capacetes ou óculos de natação são apreendidos para travar os 'black-blocs', grupos de manifestantes violentos que se vestem normalmente de preto e escondem a sua identidade.

A violência policial tem recebido críticas dentro e fora do país, com Marie, a dizer que esta violência não a choca, já que tem sido assim nos últimos anos.

"Nós vivemos isso há anos, eu bem me tentei proteger, tenho o meu capuz, uma máscara, porque é terrível quando eles nos mandam com gás lacrimogéneo. Esta violência não me surpreende, porque já estamos habituados a levar matracadas e estão sempre a fazer coisas ilegais, utilizam armas de guerra contra nós", indicou.

Segundo os sindicatos, a mobilização desta tarde levou 450 mil pessoas à rua, um número abaixo da da semana passada, que tinha gerado uma das maiores participações desde o início do ano.

Entretanto, os cantoneiros de Paris anunciaram a suspensão da greve da recolha do lixo já a partir de quarta-feira.

No entanto, outros setores continuam com as greves, nomeadamente a nível dos transportes, refinarias e com bloqueios nas estradas, escolas e universidades.

A reforma do sistema de pensões está agora a ser analisada no Conselho Constitucional e só depois será ratificada pelo Presidente da República.

Leia Também: Greve na recolha do lixo em Paris suspensa a partir de 4.ª-feira

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