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Mais de 3 milhões de eleitores decidem hoje criar 12º estado da Etiópia

Mais de três milhões de pessoas decidem hoje em referendo a criação do 12º estado da Etiópia, composto por seis zonas e cinco distritos especiais da região das Nações, Nacionalidades e Povos do Sul (SNNP, sul do país).

Mais de 3 milhões de eleitores decidem hoje criar 12º estado da Etiópia
Notícias ao Minuto

15:27 - 06/02/23 por Lusa

Mundo Etiópia

Os resultados do plebiscito deverão ser conhecidos no próximo dia 15 de fevereiro.

As seis zonas onde decorre o referendo são Wolayita, Gamo, Gofa, South Omo, Gedeo e Konso e os cinco distritos especiais são Derashe, Amaro, Burji, Ale e Basketo.

Desde que o primeiro-ministro Abiy Ahmed chegou ao poder, em abril de 2018, foram criados dois novos estados regionais, na região de Sidama, em 2019, e na região do sudoeste, em 2021, ambas separadas da SNNPR, mosaico de minorias étnicas e cenário de tensões e violência recorrentes nos últimos anos.

No referendo realizado em 23 de novembro de 2019, votaram mais de 2,3 milhões de eleitores inscritos para criar o novo estado regional de Sidama, fora da região da SNNP, e dois anos mais tarde, em outubro de 2021, cinco zonas - Kaffa, Sheka, Bench Sheko, Dawuro e West Omo Zones -- e um distrito especial - Konta -- votaram para a criação do novo Estado Regional Popular do Sudoeste da Etiópia, tornando-se o segundo novo estado regional fora da região da SNNP.

A cidade de Arba Minch, a cerca de 500 quilómetros a sul de Adis Abeba, na Região das Nações, Nacionalidades e Povos do Sul, foi escolhida como centro de coordenação do referendo que hoje se realiza.

A atual Constituição da Etiópia, adotada em 1995 sob o regime de Meles Zenawi, dividiu inicialmente a Etiópia em nove estados regionais, segundo linhas etnolinguísticas, dotados de amplos poderes dentro de um sistema federal.

Este "federalismo étnico", que deveria oferecer um grau de autonomia a cerca de 80 comunidades étnicas que constituem a Etiópia, o segundo país mais populoso de África com 120 milhões de habitantes, tem sido acusado pelos seus críticos de exacerbar os sentimentos de pertença e "etnizar" velhas disputas de terra.

A Constituição permite a qualquer grupo exigir um referendo para formar um novo estado, mas durante os 27 anos de governo da coligação dominada pela Frente de Libertação Popular de Tigray (TPLF), o Governo federal refreou quaisquer movimentos desse tipo, por vezes de forma violenta.

Várias reformas empreendidas por Abiy Ahmed quando chegou ao poder, na sequência de mais de dois anos de protestos populares contra o poder da elite tigray até então no poder, desencadearam reivindicações territoriais e conflitos baseados na identidade.

Nos últimos anos, a Etiópia tem sido perturbada por numerosas tensões comunitárias, por vezes mortíferas, particularmente ligadas a disputas de terra decorrentes da divisão administrativa.

Um intenso conflito armado entre as forças do Governo federal e as forças estaduais leais à liderança política TPLF na região de Tigray, entre novembro de 2020 e novembro de 2022, está em fase de rescaldo, com a implementação de um acordo de paz assinado há três meses, ao mesmo tempo que ganha ímpeto uma insurreição na região de Oromia, a maior e mais populosa região da Etiópia.

Leia Também: Dois mortos e 4 feridos graves em ataque a igreja ortodoxa na Etiópia

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