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Ucrânia. TEDH considera admissíveis casos de Kyiv contra Rússia

O principal tribunal de direitos humanos da Europa decidiu hoje poder julgar processos dos Países Baixos e da Ucrânia contra a Rússia por crimes no leste ucraniano em 2014, incluindo o abate do voo MH17 da Malaysia Airlines.

Ucrânia. TEDH considera admissíveis casos de Kyiv contra Rússia
Notícias ao Minuto

17:08 - 25/01/23 por Lusa

Mundo Ucrânia

A decisão do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH), com sede em Estrasburgo, França, representa um progresso significativo nos esforços dos Países Baixos e da Ucrânia para responsabilizar judicialmente a Rússia pelas suas ações em território ucraniano e poderá abrir caminho a pedidos de indemnização.

O TEDH indicou também que será posteriormente emitida uma decisão sobre o tipo de casos que serão admissíveis.

As ações judiciais junto do TEDH foram movidas antes de Moscovo ter lançado a sua invasão da Ucrânia em três frentes, há quase um ano, a 24 de fevereiro de 2022.

"Muito boas notícias: a decisão do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos é mais um passo importante para descobrir a verdade e se fazer justiça pelas vítimas do voo MH17 e suas famílias", escreveu a ministra da Justiça neerlandesa, Dilan Yesilgöz-Zegerius, na rede social Twitter.

O ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE), Wopke Hoekstra, também saudou a decisão como um marco importante na procura por responsáveis.

"Continuaremos a fazer tudo o que pudermos para obter justiça para todas as 298 vítimas do voo MH17 e seus entes queridos", escreveu o MNE neerlandês no Twitter.

O TEDH indicou que as provas apresentadas numa audiência no ano passado mostraram que, a partir de 11 de maio de 2014, zonas do leste da Ucrânia controladas por rebeldes separatistas se encontravam "sob jurisdição da Federação Russa" e que Moscovo "teve uma influência significativa na estratégia militar dos separatistas", incluindo o fornecimento de armas, a realização de ataques de artilharia pedidos pelos rebeldes e dar-lhes apoio político e económico.

O tribunal determinou que havia provas suficientes para demonstrar a admissibilidade da maioria das acusações ucranianas de violações de direitos e de um processo relacionado, sobre o despenhamento do voo MH17, movido pelos Países Baixos, e que só um pequeno número de alegações foi considerado inadmissível.

O tribunal de Estrasburgo é uma parte importante do Conselho da Europa, que é a mais importante instituição de direitos humanos do continente. A Rússia foi expulsa da organização no ano passado, numa situação sem precedentes, provocada pela sua invasão da Ucrânia e pela guerra ainda em curso. Contudo, o TEDH ainda pode julgar casos contra a Rússia, desde que anteriores à data da sua expulsão.

Os casos de Estrasburgo são separados de uma acusação criminal nos Países Baixos em que dois cidadãos russos e um rebelde ucraniano foram condenados à revelia em novembro passado por vários homicídios, isto é, pelos papéis que desempenharam no abate do voo MH17 sobre o leste da Ucrânia, a 17 de julho de 2014.

Todos os 298 passageiros e tripulantes morreram quando o Boeing 777 que partiu de Amesterdão com destino a Kuala Lumpur foi abatido sobre o leste do território ucraniano.

No seu caso no tribunal de direitos humanos, os Países Baixos argumentam que Moscovo teve um papel fundamental no abate do voo MH17 e que a ausência de investigação por parte da Rússia e a sua falta de cooperação com o Ministério Público neerlandês, juntamente com as suas rejeições de qualquer envolvimento, agravaram o sofrimento de familiares e amigos das vítimas.

Promotores neerlandeses afirmam que o sistema de mísseis que abateu o MH17 foi transportado por terra para a Ucrânia de uma base militar na Rússia e devolvido à origem após a sua utilização.

A Ucrânia apresentou vários casos contra Moscovo alegando numerosas violações da Convenção Europeia dos Direitos Humanos, entre as quais "ataques militares ilegais contra civis que causaram muitas mortes, incluindo o abate do voo MH17 e a execução sumária e o espancamento até à morte de civis" e de soldados que já não estavam a participar nas hostilidades. Acusou igualmente a Rússia de sequestrar 85 crianças ucranianas.

Leia Também: TEDH condena Rússia em dois casos por violações dos direitos humanos

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