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Quem era Mohsen Shekari? O primeiro executado pelos protestos no Irão

Mohsen Shekari, de 23 anos, foi enforcado após ter sido considerado culpado de bloquear uma rua e ferir um militante islâmico com uma catana na capital iraniana.

Quem era Mohsen Shekari? O primeiro executado pelos protestos no Irão

Mohsen Shekari, um jovem de 23 anos, foi executado, na quinta-feira, no Irão, após ter sido condenado por um crime alegadamente cometido durante os protestos pela morte da jovem Mahsa Amini, que abalam o país desde setembro. Tinha sido considerado culpado de bloquear uma rua e ferir um militante islâmico com uma catana na capital iraniana, Teerão.

Em declarações ao jornal The Guardian, o tio de Shekari, que se encontra na Dinamarca, contou que o jovem  “era atlético e forte” e “quando viu as forças de segurança a atacar os manifestantes, retirou as proteções da berma da estrada e colocou-as no meio da rua para bloquear o caminho”

Segundo Mahmoud Shekari, o jovem trabalhava num café e era o principal assalariado da família, que não sabia que o jovem seria executado. A mãe de Shekari tinha sido avisada várias vezes pelas autoridades iranianas para não comentar a prisão do filho e, quando o visitou na noite anterior, foi-lhe ordenado que se mantivesse em silêncio.

O jovem não teve direito a um advogado de defesa e tinha vários sinais de tortura no corpo, adiantou ainda o tio, que acusa as autoridades iranianas de terem “iniciado um jogo para torturar a família” ao não libertarem imediatamente o corpo do jovem. Segundo Mahmoud Shekari, a família foi encaminhada para dois cemitérios, mas quando lá chegou, foi-lhes dito que o corpo não se encontrava lá. 

A agência de notícias Mizan, detida pelo sistema judicial do Irão, revelou que Shekari foi preso a 25 de setembro e condenado quase dois meses depois, a 20 de novembro, no Tribunal Revolucionário de Teerão.

Shekari terá confessado durante o julgamento ter recebido "pagamentos" para agredir agentes das forças de segurança e foi acusado de ‘moharebeh’, uma palavra farsi que significa "travar guerra contra Deus". 

O grupo ativista Iran Human Rights condenou a execução e afirmou que a morte de “Mohsen Shekari deve motivar fortes reações, caso contrário, enfrentaremos execuções diárias de manifestantes”. “Esta execução deve ter rápidas consequências práticas internacionalmente'”, acrescentou Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor do grupo, na rede social Twitter.

Também a Organização das Nações Unidas (ONU) lamentou a morte e afirmou ter receios acerca do futuro de outros 11 manifestantes que foram condenados à morte. "Apelamos à suspensão imediata das execuções. A pena de morte é incompatível com os direitos humanos", frisou.

A execução foi ainda lamentada por vários líderes da comunidade internacional.

Esta onda de protestos sem precedentes no Irão desde a Revolução Islâmica de 1979 que instaurou o regime teocrático designado pelos seus líderes como "República Islâmica", foi desencadeada pela morte, a 16 de setembro, de Mahsa Amini, de 22 anos, em Teerão.

Desde esse dia que há manifestações por todo o país, que têm aumentado de dimensão e intensidade e têm sido duramente reprimidas pelas forças de segurança, inclusive com munições reais, tendo já feito mais de 500 mortos e pelo menos 15 mil detidos.

Após quase três meses de contestação social, as autoridades iranianas anunciaram, de forma algo confusa, a dissolução da polícia da moralidade, responsável pela detenção e morte de Amini, mas o anúncio não acalmou a situação.

Leia Também: Países que desrespeitam os direitos humanos? Conheça o 'ranking'

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