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Igreja Ortodoxa Russa diz que Ucrânia perdeu "bom-senso"

A Igreja Ortodoxa Russa (IOR) criticou na sexta-feira a intenção das autoridades ucranianas de proibir a Igreja Ortodoxa ligada a Moscovo, considerando que Kyiv perdeu o "bom-senso".

Igreja Ortodoxa Russa diz que Ucrânia perdeu "bom-senso"

"Tal demonstra a perda [por parte de Kiev] do que lhe restava de bom-senso", escreveu na plataforma digital Telegram o porta-voz da IOR, Vladimir Legoida.

O Presidente da República ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou na quinta-feira a adoção de medidas para garantir a "independência espiritual" em relação à Rússia e neutralizar "as atividades subversivas dos serviços especiais russos na esfera religiosa da Ucrânia".

A adoção dessas medidas foi abordada no Conselho de Defesa e Segurança Nacional da Ucrânia, onde foram analisados "muitos casos de ligações de determinados círculos religiosos na Ucrânia ao Estado agressor", segundo Zelensky.

O Conselho instou o Governo de Kyiv a apresentar na Rada Suprema (parlamento ucraniano) um projeto de lei "para tornar impossível que as organizações religiosas afiliadas a centros de influência na Federação Russa operem na Ucrânia", de acordo com o chefe de Estado.

O porta-voz da IOR reagiu argumentando que a referida lei "vai contra as normas do direito", em particular o Artigo 18.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que protege a liberdade de pensamento, de consciência e de religião.

"É lamentável que pessoas inocentes, simples crentes e humildes sacerdotes da Igreja Ortodoxa Ucraniana possam tornar-se moeda de troca em jogos políticos", escreveu Legoida.

Por sua vez, o ex-Presidente russo Dmitri Medvedev classificou as autoridades ucranianas como "inimigas" da religião ortodoxa.

Entretanto, a Comissão de Instrução russa anunciou que está a investigar denúncias de alegados ataques a sacerdotes ortodoxos na Ucrânia após relatos de buscas efetuadas a instalações da Igreja ucraniana ligada a Moscovo. Após essas buscas, os serviços secretos ucranianos anunciaram ter apreendido milhares de dólares em "literatura pró-russa".

A Ucrânia, país cuja população é maioritariamente ortodoxa, está dividida entre uma Igreja dependente do patriarcado de Moscovo -- que, no entanto, anunciou a rutura das ligações com a Rússia no final de maio, devido à invasão do país -- e uma outra Igreja, representada pelo patriarcado de Kiev e que, em 2019, jurou obediência ao patriarca Bartolomeu, sediado em Istambul.

Já no oeste do país, é significativa a influência da Igreja católica grega, que segue a liturgia ortodoxa, mas presta obediência ao Papa.

O patriarca Kirill, chefe supremo da Igreja Ortodoxa Russa, tem expressado grande apoio ao Presidente russo, Vladimir Putin, e condenou as ações policiais na Ucrânia considerando-as um "ato de intimidação" dirigido aos crentes.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas -- mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,8 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa -- justificada por Putin com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra, que hoje entrou no seu 283.º dia, 6.655 civis mortos e 10.368 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

Leia Também: Patriarca russo apela a "mobilização espiritual" para "reconciliação"

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