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Paquistão. Ex-primeiro-ministro insiste em eleições antecipadas

O ex-primeiro-ministro do Paquistão vai insistir hoje na convocação de eleições antecipadas, naquela que será a primeira aparição pública desde a tentativa de assassínio de que foi vítima este mês, em que acusou o seu sucessor.

Paquistão. Ex-primeiro-ministro insiste em eleições antecipadas

A exigência de Imran Khan vai ser feita num comício em Rawalpindi, arredores de Islamabade, cidade controlada pela Liga Muçulmana do Paquistão, aliada do partido paquistanês Tehree-e-Insaf (Movimento Paquistanês pela Justiça, PTI), de Khan, que deverá reunir milhares e pessoas, com a manifestação a ocorrer num contexto particularmente tenso. Rawalpindi é também uma cidade militar e abriga o quartel-general do poderoso exército paquistanês.

A 03 deste mês, Khan foi baleado nas pernas durante um outro comício no distrito de Wazirabad, na província oriental de Punjab, desencadeando posteriormente violentos confrontos com a polícia nas principais cidades do país como Islamabade, Carachi, Lahore, Queta, Peshawar, Malakand, Rajanpur, Bahawalnagar e Kohat, entre outras.

Dois dias depois do alegado atentado, Khan acusou o atual primeiro-ministro Shehbaz Sharif, o ministro do Interior, Rana Sanaullah, e um alto oficial militar de planear o assassínio, que já rejeitaram qualquer envolvimento no incidente.

"Os três decidiram matar-me", disse Khan num discurso televisionado no canal do PTI no Youtube a partir da cama do hospital em Lahore (leste), naquela que foi a primeira vez que surgiu em público após o atentado.

Khan, que, em abril, se tornou o primeiro líder paquistanês a ser derrubado através de uma moção de censura no Parlamento, foi impedido pela comissão eleitoral nacional, em fins de outubro, de se apresentar como candidato à chefia do Governo nas próximas eleições por não ter declarado o dinheiro da venda de presentes oferecidos por líderes internacionais quando estava a comandar o executivo.

O afastamento o cargo, que Khan atribuiu, sem apresentar provas, a uma suposta "conspiração internacional" liderada pelos Estados Unidos, foi precedida por uma crescente tensão política marcada por escândalos financeiros.

Khan e outras quatro pessoas ficaram feridas após um atirador atingir a tiro o veículo em que seguiam no leste do Paquistão, quando o ex-primeiro-ministro liderava uma marcha de protesto contra o atual Governo.

O aparente autor dos disparos, segundo a agência noticiosa France-Presse (AFP) foi, entretanto, abatido, enquanto uma segunda pessoa, que alegadamente estaria com o atirador, foi detida pela polícia.

Raoof Hassan, conselheiro do líder do PTI, indicou tratar-se de uma tentativa de assassínio" de Khan que, desde o fim de outubro, lidera uma "longa marcha" iniciada em Lahore e com destino à capital Islamabade para exigir a realização de eleições antecipadas.

O comício de hoje é a etapa mais importante da "longa marcha" organizada pelo PTI, que visa pressionar o governo a garantir eleições antecipadas antes de o mandato do Parlamento expirar em outubro de 2023.

"A minha vida está em perigo e, apesar dos ferimentos, vou a Rawalpindi pela nação" escreveu hoje Khan na rede social Twitter, cujo discurso está previsto para a noite. 

Desde o início da manhã, apoiantes do PTI de todo o país estão a chegar a Rawalpindi para o comício, cujo palco tem vidros à prova de bala, tendo as autoridades colocado um vasto dispositivo de segurança para impedir que os adeptos de Khan, uma antiga estrela internacional do críquete, passem pelos edifícios governamentais. 

Em maio, os protestos organizados por Khan, de 70 anos, degeneraram em caos: a capital foi bloqueada e confrontos estouraram em todo o país entre policiais e manifestantes. A polícia já disse que qualquer tentativa de partidários do PTI de entrar em Islamabade será "firmemente reprimida".

O ministro do Interior, Rana Sanaullah, que Khan diz estar envolvido na "conspiração de assassínio", emitiu um "alerta vermelho", para prevenir ameaças à segurança causadas pelo encontro.

O exército do Paquistão, o sexto maior do mundo, com acesso a armamento atómico num país de cerca de 220 milhões de habitantes, tem uma influência considerável no país, sendo responsável por pelo menos três golpes de Estado desde a independência em 1947, permanecendo no poder por mais de três décadas.

Leia Também: Primeiro-ministro do Paquistão testa positivo à Covid-19 após viagens

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