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ONU classifica como "abomináveis" chicotadas públicas no Afeganistão

As Nações Unidas condenaram hoje as punições públicas com chicotadas que as autoridades talibãs têm realizado nos últimos dias na província afegã de Logar (leste).

ONU classifica como "abomináveis" chicotadas públicas no Afeganistão

A porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Ravina Shamdasani, classificou como "abomináveis" os castigos infligidos pelas autoridades talibãs, no poder no Afeganistão desde o verão de 2021, e lembrou que esta forma de maus-tratos é proibida pela Convenção contra a Tortura e pelo Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos, que o Estado afegão integra.

A porta-voz expressou "preocupação" perante informações que relatam que as detenções, julgamentos, sentenças e punições dos torturados são normalmente realizadas no mesmo dia.

Nas últimas duas semanas, as punições com chicotadas por violação dos códigos religiosos e morais atingiram também menores de idade, segundo Ravina Shamdasani, que referiu que uma criança foi açoitada 60 vezes por ter cometido um simples furto.

Roubar, "violar as normas de comportamento social" ou ter "relações ilegais" são algumas das condutas puníveis com este tipo de pena no regime talibã, que regressou ao poder em agosto de 2021, 20 anos depois de ter sido expulso por uma ofensiva internacional liderada pelos Estados Unidos.

Num dos recentes incidentes denunciados pela ONU, na quarta-feira, três mulheres e 11 homens receberam entre 35 e 100 chicotadas num estádio de futebol da região de Logar.

A primeira sessão pública de chicotadas confirmada desde a tomada do poder pelos talibãs ocorreu a 11 deste mês, quando 19 homens e mulheres receberam 39 chicotadas cada por alegados crimes de roubo, adultério e fuga de casa.

Logo após o seu regresso ao poder, os talibãs prometeram ser mais moderados, bem como permitir os direitos das mulheres e das minorias.

No entanto, em vez disso, acabaram por restringir direitos e liberdades, incluindo a proibição da educação de meninas além do sexto ano de escolaridade.

O restabelecimento desta prática demonstra a vontade dos talibãs em manter a sua própria interpretação, estrita, da lei islâmica, 'Sharia'.

Desde agosto de 2021 que os talibãs se debatem com uma grave crise económica e com a recusa do reconhecimento oficial pela comunidade internacional.

Leia Também: PE denuncia deterioração dos direitos das mulheres no Afeganistão

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